Na cruz-Direitos civis LGBT.
Retrato muito realista e contundente da hipocrisia religiosa no Brasil que se esquece que temos uma constituição democrática que diz:"Todos são iguais perante a lei".O Brasil não será um país plenamente democrático com cidadãos 'de primeira e de segunda'.E só relembrando,o Brasil é uma democracia laica-nenhum religião pode prevalecer sobre o direito do cidadão.
Fonte-Alexandre Ivo-Facebook
Marcadores: direitos LGBT, Direitos LGBT no Brasil, estado laico, Laicismo
Assange-"Eu disponibilizo informação sobre corporações para você de graça e sou o vilão"
Zuckerberg-"Eu repasso suas informações privadas às corporações por dinheiro e sou 'O homem do ano' "
Como diria o grande Renato Russo,esse é o nosso mundo.
Um feliz Natal a todos e um ótimo 2011.Estamos de férias do blog até o começo de Janeiro.E 2011 será um ano de mais postagens,de'retomada'.
Um grande abraço a todos que visitam nosso canto,mesmo que esse blogueiro aqui tenha sido 'relapso' em visitar os blogs dos amigos.Saudações!
Marcadores: ano novo, feliz 2011, feliz natal
Música-Vete de mi (Homero e Virgilio Esposito)-Caetano Veloso
Tú, que llenas todo de alegría y juventud
Que ves fantasmas en la noche de trasluz
Y oyes el canto perfumado del azul
Vete de mí
No te detengas a mirar
Las ramas muertas del rosal
Que se marchitan sin dar folr
Mira el paisaje del amor
Que és la razón para soñar y amar
Yo, que ya he luchado contra toda la maldad
Tengo las manos tan desechas de apretar
Que ni te puedo sujetar
Vete de mí
Seré en tú vida lo mejor
De la neblina del ayer
Cuándo me llegues a olvidar
Como és mejor el verso aquél
Que no podemos recordar
Prodígio de letra e melodia na interpretação perfeita e tocante de Caetano.
Para os que já se apaixonaram ou estão se apaixonando.
Marcadores: bolero, Caetano Veloso, Vete de mi, Vete de mi-Caetano Veloso
Uma saudação a Julian Assange,herói da nossa triste 'pós-modernidade'
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Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século, a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
(Carlos Drummond de Andrade)
-"Que não existe nenhum deus pessoal nem vida após a morte"
-"Que a única diferença entre os seres humanos é a inteligência"
-"Que o único critério para uma ação é a felicidade ou a infelicidade individual que em última instância ela produz"
(Susan Sontag-1933-2004)-em "Diários-1947-1963")
Marcadores: Diários-Susan Sontag, Eu acredito, Susan Sontag
Poesia-"O Prelúdio" de William Wordsworth(1770-1850)
Os cacos de vidro e os cacos da consciência-Homofobia e desigualdade
Os jovens que agrediram esse final de semana os rapazes gays na Avenida Paulista foram libertados.
Só essa frase causa um arrepio.Então,usar cacos de vidro para agredir pessoas não é um crime suficiente para ficar detido,embora se você for pobre e negro,e roubar um pote de manteiga,se arrisca a passar até anos atrás das grades.
O ato dos playboyzinhos paulistanos em si é um tratado da educação(?) que certas camadas da classe média/alta brasileira recebe-educados em 'bolhas',distantes da realidade do povo e das 'minorias',são ensinados a ter horror a tudo que não cheira a seu mundinho claustrofóbico de condomínio fechado.Pobres,gays,negros,deficientes, são uma outra categoria de pessoas-são os estranhos,os que devem ser
desprezados,inclusive por existirem e 'manchar' seu mundo cor de rosa.
Muito dessa mentalidade se deve à essa própria classe média,que sempre apoiou com unhas e dentes o país do 'elevador social',do 'cubículo de empregada',do porteiro-salário mínimo,da casa grande e senzala.E claro,são contra a elevação do salário mínimo,são contra o bolsa família,são contra a criminalização da homofobia,e socorro!! arqui-inimigos do casamento gay-essa aberração!!E assim,é com essa mentalidade que esses garotos são educados e a justiça faz sua parte,ao passar a mão na cabeça desses monstrinhos.Gostaria que alguém pudesse me convencer que se fossem pobres e/ou negros esses rapazes não estariam ainda presos.
O país continua basicamente a ter duas justiças:uma para as classes A/B,outra para o "resto".
É de causar pavor que a mãe de um dos envolvidos,tente justificar o injustificável,assim passando o recibo da péssima educação que essa gente dá a seus filhos.O advogado disse que os rapazes sofreram 'uma agressão,uma ameaça,uma paquera'.É essa a mentalidade vigente.
Ainda não vi a estridente turma do "Cansei" pedindo o fim desse tipo de violência,ainda não vi a OAB se pronunciar,ainda não vi os tais blogs 'progressistas' se manifestarem.Isso tudo prova como a homofobia permeia o tecido social.Verdade seja dita,se fosse um crime envolvendo racismo ou sexismo,a gritaria já se faria (com muita justiça) se ouvir.Mas...
"Eu escrevo sobre o amor e o dinheiro.O que mais existe para escrever?"(Jane Austen-1775-1817)
"A partir de certo ponto,não há volta.Esse é o ponto que se deve atingir"(Kafka-1883-1924)
"Não gosto de escritores que ignoram o elemento estranheza que se introduziu na vida contemporânea a partir da bomba atômica"(Susan Sontag-1933-2004)
Marcadores: jane austen, Kafka, Sobre escrever, Susan Sontag
Filme-"Coverboy,a última revolução"(2006)-de Carmine Amoruso
A queda do Muro de Berlim,o final da União Soviética e o desmantelamento dos regimes repressores do chamado "socialismo real" no Leste europeu,causaram surpreendentes mudanças no ordenamento das 'forças ideológicas' planetárias.O que a princípio foi saudado com expressões como "nova era democrática","fim do comunismo" e até mesmo "fim da história",etc,também poderia ter sido chamado de "advento da era do mercado total","reunificação da ideologia neoliberal,neoconservadora".Esses fatos intricados entre si,deram o tom à quase total desregulamentação dos mercados nacionais,à precarização do trabalho,gerando a então tão louvada "globalização",hoje mais que questionada por sua criação monstruosa de concentração de renda e miséria.
Por mais que se tenha dito então que 'a esquerda estava morta',que o marxismo(que não é o socialismo real do leste) era uma filosofia/sistema falido,o fracasso retumbante da era do mercado total levou à atual crise sistêmica pela qual ainda passamos.
A Europa Ocidental,seriamente afetada,com crescimento econômico negativo ou muito baixo,começa a sentir os trancos do envelhecimento populacional acelerado com o consequente aperto dos serviços de segurança e previdência social.Lá,a crise só gera mais desemprego e insatisfação,levando grandes contingentes a votar na direita e até mesmo na extrema direita xenófoba e racista(e estúpida),que demoniza os imigrantes ilegais,não querendo enxergar os verdadeiros culpados da crise.Os EUA patinam na pior recessão em 80 anos,com altos níveis de desemprego e decepção popular com o governo de Obama(que foi eleito em meio a aclamações retumbantes).A infra-estrutura,a educação e a desigualdade de renda caem a níveis nunca vistos hoje.E por fim,assistimos à inevitável ascensão do BRICs,que desenham já no presente,um outro futuro.
"Cover Boy" é um filme italiano que se insere na tradição política de Elio Petri e Pasolini,com sua crítica ácida da ilusão do fim da luta de classes,do teatro bem-pensante burguês,seu desvelamento dos meios mais reacionários de controle social e ocultamento e manipulação das relações sociais.
Por mais que certas revistas semanais insistam no contrário,tudo é político,e por mais que o chamado "estado do bem estar social",tenha construido sociedades muito mais justas em muitos países da Europa,esse mesmo sistema tem sido corroído em suas bases pela ganância desregulamentadora e pelo inevitável embate social causado por ela.
"Cover Boy" conta a história de Ion(Eduard Gabia) e Michelle(Luca Lionello).Ion é um jovem romeno,que acossado pela pobreza da Romênia pós-comunista,vai tentar a sorte no suposto eldorado italiano.Como era de se esperar,de grande prosperidade,a Itália já não tem muita coisa.Com a econonia estagnada há anos,o país é na verdade um viveiro de xenofobia e racismo.Ion,recém chegado,não tem para onde ir ,onde dormir,onde tomar um simples banho.E é em circunstâncias surpreendentes que conhece Michele na estação Termini em Roma.Michele,é um empregado terceirizado,que embora italiano,e"cidadão pleno da União Européia",é pouco menos pobre que o romeno.Mora em um minúsculo e desconjuntado apartamento em um prédio decrépito,gerenciado por uma por uma detestável e amargurada atriz decadente.É esse apartamento e também sua vida que passa a dividir com Ion.
Pasolini registrou magnificamente a vida do sub-proletariado italiano em obras primas como Accatone(em uma Itália que surpreenderia muitos hoje,com favelas iguaizinhas às brasileiras na periferia de Roma) e lamentava melancolicamente,que a rica Itália que nascia nos anos 60,significava também um país que se abastardava,que se consumia no fogo do consumismo e da ganância erigidas como modo de vida.
Esse mesmo Pasolini se surpreenderia com a Itália de 2010.O país que depois da Segunda Guerra,teve um enorme e intenso crescimento econômico,com o decréscimo rápido da desigualdade social e aumento exponencial de salários,passa de exportador a receptor de mão de obra barata do chamado "terceiro mundo".Mas a Itália de 2010 é o país do patético Sílvio Berlusconi,do racismo mais lamentável da Europa Ocidental e de uma decadência sócio-econômica que só tem aumentado ano a ano.
É nesse cenário que vive Michele,o amigo de Ion,ele próprio imigrado do mais pobre sul da Itália.,que procura em Roma(ou em Milão,ou Turim,etc) a vida melhor que certamente,hoje,não vai encontrar.
Os dois,perdidos em uma sociedade indiferente,teem a si mesmos.Michele literalmente se apaixona por um Ion inacessível como objeto de paixão e a dor dos dois se mescla em vários tons.





