Situação dos direitos Humanos no Iran dos aiatolás.



O vídeo é em inglês,mas também as imagens falam por si mesmas.Pensei muito se deveria postá-lo aqui,mas a iminente visita do líder iraniano ao Brasil,me fez decidir.Muitas dessas imagens são fortes,e mostram todo o sofrimento do Iran,submetido a um dos regimes mais desumanos e obscurantistas do planeta.






Avisita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad é um insulto a nosso país democrático,ao estado de direito,ao estado laico.Líder de um país onde se executa menores de idade com respaldo legal,onde mulheres podem ser presas a qualquer momento,dependendo do humor da feroz 'polícia religiosa',onde gays são enforcados em praça pública,mulheres acusadas de adultério apedrejadas,cristãos e bahais perseguidos;o que vem ele fazer em nosso país ,um estado multi-étnico,pluri-religioso,onde as liberdades básicas são garantidas pela constituição,esse pretenso líder,que nega o holocausto e pisoteia as mais elementares leis dos direitos humanos.Vergonha para o governo brasileiro,que convida semelhante personagem a nos visitar.

Visões do Universo

























































































































Blogagem Coletiva-O Filme da minha Vida-As Horas(de Stephen Daldry)

Há muitos grandes filmes em nossas vidas,mas às vezes,assistimos aquele filme que de muitas maneiras mexe com nossa sensibilidade,que de alguma forma muda nossa percepção de algumas coisas,que desperta em nós uma reflexão,que literalmente,toca nosso coração.

Escolhi como o filme da minha vida,'As Horas',do diretor inglês Stephen Daldry.As razões,são todas essas de que já falei,e também por esse filme tratar de questões como a maneira que vivemos nossas vidas,a presença onipresente da morte no mundo,como conciliar nossos desejos com a realidade que nos circunda,enfim,como nos situarmos num mundo,numa realidade que às vezes parece fugir de nós.

'As horas' é baseado no grande romance do americano Michael Cunningham,que venceu com ele o prestigiado Prêmio Pulitzer de melhor romance.

A história trata de um dia na vida de três mulheres aparentemente muito diferentes entre si,mas vivendo dilemas e angústias muito parecidas.Apesar de separadas pelo tempo e pelo espaço,todas vivem um momento de angústia,de decisões a serem tomadas,que abrangem aspectos essenciais de suas vidas.

Laura Brown(julianne Moore) é uma dona de casa intelectualizada e sonhadora,totalmente inadaptada à vida que leva com o marido e o filho num próspero subúrbio da Califórnia de 1951,sufocando em meio ao convencionalismo de seu meio.Clarissa Vaughan(Meryl Streep) é uma editora de meia idade na Nova York do final do século passado,que tem que lidar com a iminente morte de seu ex-namorado soropositivo,com a rejeição da filha adolescente e com sua sensação de fracasso,que verdadeira ou não,a obseca.E por fim há a grande escritora inglesa Virginia Woolf(Nicole Kidman),que vivendo no subúrbio londrino de Richmond em 1923,tenta viver mais um dia com seu medo da loucura que a atormenta desde a adolescência,com suas crises intermitentes,com sua vontade de voltar para Londres,para seus amigos;enquanto escreve sua obra prima,o romance 'Mrs Dalloway'.

E é justamente 'Mrs Dalloway' que faz a ponte entre estas três mulheres que buscam um sentido da vida que lhes escapa.

Estão presentes no filme todos os dilemas existenciais que nos fazem refletir,tentar achar alguma resposta para o aparente caos do mundo:a vida,que de certa forma é só o momento presente(o passar das horas),a poderosa presença da morte(que nos causa medo e horror,mas que também nos define como seres humanos),a verdade e as contradições do amor,da amizade,dos laços de carinho que criamos com quem amamos,a maternidade,o horror e a beleza do mundo,a loucura,os pequenos detalhes que fazem,que compõem nossas vidas,e acima de tudo,a dificuldade metafísica de explicar o rolar do tempo,o passar contínuo das horas(as horas são tudo que realmente vivemos).

O filme tem uma direção de atores poderosa,com destaque para o trio de atrizes principais.A sempre impressionante Meryl Streep(para mim a maior atriz viva),faz uma Clarissa perdida,que acha que tudo que de bom que a vida lhe deu está desaparecendo sem que ela possa fazer nada para impedir.A interpretação de Meryl é sutil,marcando os pequenos detalhes da vida com a precisão de falas e gestos.Julianne Moore está magnífica,toda tensão e auto-piedade,refletidas no rosto e no corpo.E Nicole Kidman como Virginia Woolf,nos passa toda a gama de sentimentos ambíguos da escritora,sem cair por um só momento na caricatura.Nicole ganhou muito merecidamente o Oscar de melhor atriz por esse filme.

Enfim um grande filme sobre a vida e seus dilemas ,que também são os de todos nós.

Pela impressão duradoura que me causou,pela reflexão que me despertou e também pelo grande prazer de assisti-lo,é o filme da minha vida.

Ceci e peri na tempestade

Depois do fragor da tempestade,a água subiu.Agarrada a Peri,no tronco da palmeira à deriva,ela viu o céu transmutar-se de azul muito escuro em um negro de fumaça.Relâmpagos amarelo-alaranjados cruzavam o poente em toda as direcões.O barulho dos trovões,ela pensou,nunca acabaria.Peri a segurava com força,seus braços enormes a amparando.Esgotada,abandonou-se,não mais ao pavor e ao medo da morte,mas à estranha situação que vivia.Deitada sobre o tronco da palmeira,tinha a sensação que a qualquer momento iria ao fundo,e tudo finalmente terminaria.O mundo agora era só água,e aquele céu escuro e iluminado a cada segundo.E todos de sua casa certamente estavam mortos:seu pai,sua mãe,Álvaro,Isabel.Massacrados a flechas;seus pobres corpos desfigurados imóveis sobre a terra molhada,seus olhos esbugalhados,os cabelos sujos de sangue e lama.Sentiu sua garganta travar e seus olhos encheram-se de lágrimas.As lágrimas que ninguém nunca mais veria.Via flores que boiavam na água,maravilhosamente azuis e vermelhas,salpicadas de gotículas escuras,levadas para longe,longe.Não me leve,não me leve,murmurou baixinho.Peri não parecia esgotado.Como um ser divino,um homem de um outro lugar que não aquele a olhava com o mesmo olhar de devoção e doçura.
Tão fraca estava,tão molhada,tão esgotada,que já não não lhe doía mais o corpo.Seu vestido encharcado não a incomodava mais.O medo a deixava,finalmente.A cada momento pensava ser o fim.Até quando ele vai suportar?Quando por fim,mesmo em um esforço magistral,seus braços não o obedecessem mais?
Marés se erguiam pela terra inundada.Soltou um leve grito.era assim então.

Do fundo do baú-Abertura de 'A escrava Isaura'(1976-Rede Globo- adaptação de Gilberto Braga)

Considerada por muitos a melhor telenovela brasileira

de todos os tempos.(apesar de concorrentes como 'Vale Tudo','Roque Santeiro','Que Rei sou eu?'ou 'O Clone'),A Escrava Isaura ,de um tempo pré-internet,tinha audiências de 85-90%,vistas hoje como absurdas.Seu último capítulo superou 90%.Vista no mundo inteiro,é um exemplo da perícia brasileira na área das telenovelas.Lembram-se dela,alguns de vocês?

Encontros e desencontros


Ela saiu às oito horas.A rua,quente e seca,ainda estava vazia.Insetos zumbiam pelo ar.Caminhava devagar,pisando firme a calçada irregular.E ter que ir ver Luís de novo,meu Deus!

Tudo novamente:a discussão inevitável,a hesitação que a enfurecia,as palavras trocadas em jatos.Como tudo isso a entediava.E se as pessoas ao invés de viverem na sofreguidão aparentemente eterna de suas vidas,parassem e sentassem num banco de jardim,para ter como única companhia a si mesmo?O pulsar frenético de sua vida a fazia sentir-se cansada.Queria um pouco de dormência,de lassidão.A indolência consentida,os tumultos apagados.

No cruzamento com a avenida apareceram pessoas.Crianças e adolescentes a caminho da escola;a velha apressada com uma echarpe ondulante enrolada no pescoço,maquiadíssima(o que estaria fazendo ali?);o mendigo habitual da esquina com suas mãos sujíssimas e o cachorro amarelo de olhos calmos,sentado ao lado de uma caixa de papelão.

E se estava indo se encontrar com Luís,deveria mesmo esperar pelos sinos que começavam a retumbar em seus ouvidos.Não tinha nenhuma esperança de compreender qualquer sentimento.Sua mente,que não era dessas chamadas poderosas ou inescrutáveis,simplesmente oscilava entre o desprazer do corriqueiro.Não deveria esperar nada de Luís,que não fosse o reflexo de seu próprio egoísmo,o confronto de vontades refletidas em um espelho.

Parou no ponto de ônibus lotado.O calor já estremecia tudo.Mulheres com ar entediado carregavam sacolas de compras e ela,pronta para um desenlace qualquer.

Poderia cortar agora mesmo seus fios desconexos com o homem com quem vivera por tantos anos.Mas além de desconexos,esses fios tão finos e filigranados,lentamente se arrebentavam,tão degradados estavam.E parada ali,ela sofria,por todas as possibilidades e impossibilidades de sua vida.O ônibus chegou.Entrou.E assim foi ao encontro de algo que não conhecia.

Joaquim Barbosa X Gilmar Mendes-Primeiro Round?



O ministro Joaquim Barbosa diz o que muita gente sempre teve vontade de dizer e não podia.Bravo,Ministro!

Caetano Veloso-Terra