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Marcadores: literatura, livros, sugestões de leitura
VIRGINIA WOOLF (1882-1941)-SEGUNDA OU TERÇA-FEIRA(CONTO)
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Unknown
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quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Preguiçosa e indiferente,sacudindo o espaço com facilidade com suas asas,conhecendo o rumo,a garça passa sobre a igreja por baixo do céu.Branca e distante,absorvida em si mesma,ela percorre e volta a percorrer o céu,avança e permanece.Um lago?Apaguem suas margens!Uma montanha?Ah,perfeito-o sol doura-lhe as encostas.Lá ele cai.Samambaias,ou penas brancas para
sempre e sempre-
Desejando a verdade,esperando-a,laboriosamente
destilando algumas palavras,para sempre desejando-(um grito repercute para a esquerda,outro para a direita.Rodas rangem discordantes.Ônibus se conglomeram conflituosos)-para sempre desejando-(o relógio assegura com 12 badaladas distintas que é eio-dia;a luz irradia escalas douradas;crianças enxameiam)-para sempre desejando a verdade.Vermelho é o domo;moedas balançam de árvores;a fumaça se desenrosca das chaminés;ladram,berram,gritam"Vende-se ferro!"-e a verdade?
Irradiando-se até o ponto em que os pés dos homens e os pés das mulheres,negros ou revestidos de ouro-(Este tempo nublado-Açúcar?Não,obrigado-a comunidade do futuro)-a chama do isqueiro dardejando e avermelhando o quarto,exceto as figuras negras e seus olhos brilhantes,enquanto lá fora um furgão descarrega,Miss Fulana bebe chá à sua mesa e o vidro laminado preserva casacos de pele-
Tremulante com a leveza de uma folha,à deriva nos cantos,soprada do outro lado das rodas,salpicada de prata,em casa ou fora de casa,reunida,separada,dissipada em escalas distintas,arrebatada para cima,para baixo,desgastada,arruinada,convocada-e a verdade?
Ser relembrada agora rente à lareira,no quadro branco de mármore.Das profundezas do marfim
ascendem palavras que vertem o seu negrume,floridas e perspicazes.Tombado está o livro;na chama,no fumo,nas momentâneas faíscas-ou agora viajando,o quadrado de mármore pendente,minaretes embaixo e os mares indianos,enquanto o espaço investe azulado e as estrelas cintilam-verdade?Ou agora,contente com a solidão?
Preguiçosa e indiferente a garça retorna;o céu vela as estrelas;e depois as desnuda.
(Virginia Woolf-Segunda ou terça-feira-do livro Objetos Sólidos-editora Siciliano,
tradução de Hélio Pólvora)
INGRES,JEAN-AUGUSTE DOMINIQUE(1780-1867)-PINTURAS E DESENHOS
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Unknown
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quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Marcadores: INGRES, PINTURA, PINTURA ROMÃNTICA FRANCESA
Nenhuma descoberta da genética reduz ou supera o que Proust sabia do fascínio ou do fardo da linguagem;cada vez que Otelo nos recorda a ferrugem do orvalho na lâmina brilhante,sentimos mais da transitória realidade sensorial na qual nossa vida deve transcorrer do que é tarefa ou ambição da física transmitir.Nenhuma sociometria da motivação ou da táticas políticas se compara a Stendhal[...]
A luz que temos sobre nossa condição essencial e íntima ainda é concentrada pelo poeta.[...]
A linguagem de Milton ou Shakespeare pertence a uma época da história na qual as palavras
detinham o controle natural da experiência de vida.O escritor de hoje tende a usar muito menos
palavras,e muito mais simples,tanto porque a cultura de massas diluiu o conceito de instrução
como porque diminuiu extraordinariamente o conjunto de realidades das quais as palavras podem dar conta e modo necessário e suficiente.[...]
O que mais -além de meias verdades,grosseiras simplificações ou trivialidades-pode,de fato ser comunicado àquela massa semiletrada que a democracia do consumo trouxe para o mercado?[...]
Não será importante hoje,para a sobrevivência do sentimento,que alguém conheça outra língua viva como um dia foi importante conhecer de perto os clássicos ou as Escrituras?[...]
Inexistem palavras para a experiência mais profunda.Quanto mais tento me explicar,menos me entendo.Evidentemente,nem tudo é indizível em palavras,apenas a verdade viva.[...]
(do livro'Linguagem e Silêncio',de George Steiner,Companhia da Letras,tradução de Gilda Stuart e Felipe Rajabally)
Marcadores: crítica literária, George Steiner, linguagem
Aqueles oceanos de dor que me arrastaram para longe
certamente não me deixaram uma marca
de feliz fortuna
Ah flores,dias de infelicidade!
Mas quando vejo as mil faces desse dia
ao redor de mim,
meus passos ressoam com clareza.
há esses espelhos em que nos miramos
Dias de quase felicidade:o que queremos vive
e cresce em nós.
A chave das dores ,nós a agarramos
num piscar de olhos.
Tudo é agora,a benfazeja luz da madrugada
nos saúda,mais uma vez.
O que queremos é o toque real,como
aqueles belos filmes que só nos sonhos
nos são dado ver.
(jamesPenido)
certamente não me deixaram uma marca
de feliz fortuna
Ah flores,dias de infelicidade!
Mas quando vejo as mil faces desse dia
ao redor de mim,
meus passos ressoam com clareza.
há esses espelhos em que nos miramos
Dias de quase felicidade:o que queremos vive
e cresce em nós.
A chave das dores ,nós a agarramos
num piscar de olhos.
Tudo é agora,a benfazeja luz da madrugada
nos saúda,mais uma vez.
O que queremos é o toque real,como
aqueles belos filmes que só nos sonhos
nos são dado ver.
(jamesPenido)
Marcadores: poema, POESIA BRASILEIRA
Uma temporada no Inferno(Une saison en enfer)-Fragmento
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Unknown
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terça-feira, fevereiro 03, 2009
Vite!est-il d'autres vies?-Le sommeil dans la richesse est impossible.la richesse a toujours
été bien public.L'amour divin seul octroie les clefs de la science.Je vois que la nature n'est
qu'un spectacle de bonté.Adieu chimères,idéals,erreurs.
Le chant raisonnable des anges s'èleve du navire sauveur:c'est l'amour divin.-deux amours!
Je puis mourir de l'amour terrestre,mourir de dévouement.J'ai laissé des âmes dont la peine
s'accoîtra de mon départ!Vous me choisissez parmi les naufragés;ceux qui restent
sont-ils pas mes amis?
Rápido!existem outras vidas?-O sono na riqueza é impossível.A riqueza sempre foi bem público.
Só o amor divino outorga as chaves do conhecimento.Vejo que a natureza não é um espetáculo
de bondade.Adeus quimeras,ideais,erro.
O canto sensato dos anjos se ergue do navio salvador:é o amor divino.-Dois amores!posso morrer de amor terrestre,morrer de devotamento.Abandonei almas cuja pena aumentou com a minha
partida!Me escolhestes entre os náufragos.Os que ficaram não são meus amigos.
(Arthur Rimbaud-tradução de Paulo Hecker Filho)
Marcadores: poesia francesa, Rimbaud, traduçao de Paulo Hecker Filho

Axes
after
whose stroke the wood rings,
and the echoes!
Echoes travelling
Off from the centre like horses
The sap
Wells like tears,like the
water striving
to re-establish its mirror
over the rock
That drops and turns,
A white skull,
Eaten by weedy greens.
Years later I
Encounter them on the road-
Words dry and riderless,
The indefatigable hoof-taps.
while
From the bottom of the pool,fixed stars
govern a life.
Golpes
de machado que fazem soar a madeira,
E os ecos!
Ecos partindo
Do centro como cavalos.
A seiva
Jorra como lágrimas,como a
Água lutando
Para repor seu espelho
sobre a rocha
Que cai e vira,
Um crânio branco
comido por ervas daninhas.
Anos depois
as encontro a caminho-
Palavras secas e sem rédeas,
infatigável bater de cascos.
Enquanto
Do fundo do poço,estrelas
Governam uma vida.
(Sylvia Plath-tradução de Ana Cristina Cesar)
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