Ser um pós-moderno significa ter uma ideologia,uma percepção do mundo,uma determinada hierarquia de valores que,entre outras coisas,descarta a idéia de um tipo de regulamento normativo da comunidade humana e assume que todos os tipos de vida humana se equivalem,que todas as sociedades são igualmente boas ou más;enfim,uma ideologia que se recusa a fazer julgamentos e a debater seriamente questões relativas a modos de vida viciosos ou virtuosos,pois,no limite,acredita que não há nada a ser debatido.Isso é pós-modernismo.
(Zygmunt Bauman-sociólogo inglês,nascido na Polônia)
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a Ricardo Vieira Lima
Acorda bem cedo o homem
da casa de telha-vã
e abre janela e porta
como se abrisse a manhã.
E eis que a vida não é mais
nem triste,nem só,nem vã.
É doce:cheira a goiaba
e brilha como romã.
orvalhada.E ele caminha,
o homem,com passos de lã
para em nada perturbar
a quietude da manhã.
Já não há mágoas de perdas
nem angústias de amanhã,
pois a alma que há na calma
entre a goiaba e a romã
é a própria alma do homem
da casa de telha vã,
que declara a noite morta
e acende em si a manhã.
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nascer
é ser novinho em folha
e já deixar cicatriz
viver
é cobrir os outros
de cicatrizes
e ser coberto
mas nem tudo
são cicatrizes
algumas incisões
definitivamente
não se fecham
por isso
aliás
morremos
VALE A PENA VER-ANJOS DA AMÉRICA(ANGELS IN AMERICA)
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O hábito de estar aqui agora
aos poucos substitui a compulsão
de ser o tempo todo alguém ou algo.
Um belo dia(por algum motivo
é sempre dia claro nesses casos)
você abre a janela,ou abre um pote
de pêssegos em calda,ou mesmo um livro
que nunca há de ser lido até o fim
e então a idéia irrompe,clara e nítida:
É necessário?Não.Será possível?
De modo algum.Ao menos dá prazer?
Será prazer essa exigência cega
a latejar na mente o tempo todo?
Então por quê?
E neste exato instante
você por fim entende,e refastela-se
a valer nessa poltrona,a mais cômoda
da casa,e pensa sem rancor:
Perdi o dia,mas ganhei o mundo.
(Mesmo que seja por trinta segundos)
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