PRÊMIO DARDOS


O Valdeir do Ponderantes(http://ponderantes.blogspot.com/) me passou o prêmio Dardos.É a terceira vez que eu o recebo.E sendo o Dardos um prêmio prestigioso na blogosfera,fico muito feliz com mais esse voto de confiança.Agradeço muito ao Valdeir (assim como ao Rômulo e à professora Elaine,e ao Daniel,que me outorgou o Sair das Palavras).

O premiado deve seguir esses passos:

1)-deve exibir o selo do Dardos em su blogue.


2)-deve linkar o blog do qual recebeu a indicação.


3)-escolher outros 10 blogs a quem passar a indicação.


4)-deve avisar os escolhidos.


Meus amigos a quem repasso o Dardos são:

























Clarice

Veio de um mistério,partiu para outro.

Ficamos sem saber a essência do mistério.

Ou o mistério não era essencial.Essencial

Era Clarice viajando nele.


Era Clarice bulindo no fundo mais fundo,

onde a palavra parece encontrar

sua razão de ser,e retratar o homem.


O que Clarice disse,o que Clarice

viveu para nós

em forma de história

em forma de sonho de história

em forma de sonho de sonho de história

(no meio havia uma barata ou um anjo?)

não sabemos repetir nem inventar.

São coisas,são jóias particulares de Clarice,

que usamos de empréstimos,ela é dona de tudo.


Clarice não foi um lugar -comum,

carteira de identidade,retrato.

De Chirico a pintou?Pois sim.

O mais puro retrato de Clarice

só se pode encontrá-lo atrás da nuvem

que o avião cortou,não se percebe mais.


De Clarice guardamos gestos.Gestos,

tentativas de Clarice sair de Clarice

para ser igual a nós todos

em cortesia,cuidados materiais.

Clarice não saiu,mesmo sorrindo.

Dentro dela

o que havia de salões,de escadarias,

de tetos fosforecentes e longas estepes

e zimbórios e pontes do Recife em bruma envoltas

formava um país,o país onde Clarice

vivia,só e ardente,construindo fábulas.


Não podíamos reter Clarice em nosso chão

salpicado de compromissos.Os papéis,

os cumprimentos falavam em agora

em edições,possíveis coquetéis

à beira do abismo.

Levitando acima do abismo Clarice riscava

em sulco rubro e cinza no ar e fascinava-nos.

Fascinava-nos apenas.

Deixamos para compreendê-la mais tarde.

Mais tarde um dia...saberemos amar Clarice.

(Carlos Drummond de Andrade)

A CRISE ECONÔMICA MUNDIAL EM VERSÃO FABULÍSTICA-A CIGARRA E A FORMIGA:


A cigarra,tendo cantado

o verão inteiro,

encontrou-se,quando chegou o vento

glacial do inverno,desprovida,

de um pedacinho sequer de verme

ou mosca para comer.

Foi então,chorar faminta

à porta da formiga,sua vizinha,

para implorar um grão que fosse

para não morrer de fome-

Eu vos pagarei com juros

e correção,palavra de animal.

A formiga nada gosta de emprestar,

e este é o seu menor defeito.

Que fizeste durante o calor?

perguntou à imprudente.

Noite e dia eu cantava,

respondeu a cigarra.

Ah,cantavas?`

Pois bem,então

porque não danças agora?

(Adaptação minha das "Fables de la Fontaine")


_Diz a sabedoria popular que quanto maior a altura,maior o tombo,e muitos países e pessoas que acharam que o crédito e a "gastança" não teria fim,estão como pobre cigarra a espichar a mãozinha por um dinheirinho,uma ajudinha para não quebrar.







PROTESTOS EM LONDRES DURANTE O G20:


Prémio Sair das Palavras,do meu caro amigo Daniel Silva ,de Portugal.Eu ofereço esse selo a alguns amigos,que sempre passam por aqui.E como o Daniel disse,acho que nós não temos blogs para ganhar dinheiro,e sim para passar uma mensagem para as pessoas,para fazer amigos,e eu tenho feito vários.Obrigado.Aqui vai minha pequena lista:

THE CORRS-EVERYBODY HURTS

Para João Paulo e Naiara ,em Dublin.


Sentia o cheiro
da chuva;
o grito dos pássaros,
a consistência dos musgos
antiqüíssimos.
Tentava entender a mecânica
das gotas ácidas
alinhadas,uma a uma,
o silêncio cinza das nuvens
onde o que restou do sol
pousava.
E o corpo sofria
feito ave sem asas:
de sede,se afogava.

MARIA CALLAS(1923-1977)-LA MAMMA MORTA,DA ÓPERA ANDREA CHÉNIER.



Há quem não não goste de Maria Callas,mas para mim,é o que Paulo Francis disse:deve ser o que Ulisses ouviu,amarrado ao mastro,quando as sereias cantaram.De uma intensidade dramática rara hoje,nesse nosso mundo do" mais ou menos".Pungente,vibra todas as cordas da alma.