O mundo que venci deu-me um amor
Um troféu perigoso,este cavalo
Carregado de infantes couraçados.
O mundo que venci deu-me um amor
Alado,galopando em céus irados,
Por cima de qualquer mundo de credo,
Por cima de qualquer fosso de sexo.
O mundo que venci deu-me um amor
Amor feito de insulto e pranto e riso,
Amor que força a porta dos infernos,
Amor que galga o cume ao paraíso.
Amor que dorme e treme.Que desperta
E torna contra mim,e me devora
E me rumina em cantos de vitória...
O fabuloso Mário Faustino continua um dos melhores poetas do Brasil.Assim como continua restrito a uma "elite" intelectual.Homofobia de certos círculos acadêmicos?Ignorância pura e simples?Talvez seja porque Faustino(assim como o sublime Alexei Bueno) não se enquadre nos parâmetros anti-intelectuais de uma auto denominada "vanguarda" literária brasileira que tem por hábito incensar mediocridades.
Mas a poesia do piauiense Mário Faustino está e é cada vez mais lida.Um dos nossos maiores poetas,sem mais nem menos.
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Poesia-"O mundo que venci deu-me um amor" de Mário Faustino(1930-1962)
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Unknown
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quarta-feira, julho 13, 2011
ROMANCE
Para as Festas da Agonia
Vi-te chegar, como havia
Sonhando já que chegasses:
Vinha teu vulto tão belo
Em teu cavalo amarelo,
Anjo meu, que, se me amasses,
Em teu cavalo eu partira
Sem saudade, pena, ou ira;
Teu cavalo, que amarraras
Ao tronco de minha glória
E pastava-me a memória
Feno de ouro, gramas raras.
Era tão cálido o peito
Angélico, onde meu leito
Me deixaste então fazer,
Que pude esquecer a cor
Dos olhos da Vida e a dor
Que o Sono vinha trazer.
Tão celeste foi a Festa,
Tão fino o Anjo, e a Besta
Onde montei tão serena,
Que posso, Damas, dizer-vos
E a vós, Senhores, tão servos
De outra Festa mais terrena
Não morri de mala sorte,
Morri de amor pela Morte.
(imagem daqui)
Qe faço deste dia,que me adora?
Pegá-lo pela cauda,antes da hora
Vermelha de furtar-se ao meu festim?
Ou colocá-lo em música,em palavra,
Ou gravá-lo na pedra,que o sol lavra?
Força é guardá-lo em mim,que um dia assim
Tremenda noite deixa se ela ao leito
Da noite precedente o leva,feito
Escravo dessa fêmea a quem fugira
Por mim,por minha voz e minha lira
(Mas já de sombras vejo que se cobre
Tão surdo ao sonho de ficar-tão nobre.
Já nele a luz da lua-a morte-mora,
De traição foi feito:vai-se embora.)
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