Que rosas fugitivas foste ali! Requeriam-te os tapetes, e vieste... --- Se me dói hoje o bem que me fizeste, É justo, porque muito te devi. Em que seda de afagos me envolvi Quando entraste, nas tardes que apareceste! Como fui de percal quando me deste Tua boca a beijar, que remordi... Pensei que fosse o meu o teu cansaço --- Que seria entre nós um longo abraço O tédio que, tão esbelta, te curvava... E fugiste... Que importa? Se deixaste A lembrança violeta que animaste, Onde a minha saudade a Cor se trava?...
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Poesia-Último Soneto- Mário de Sá Carneiro(1890-1926)
Postado por
Unknown
às
sexta-feira, março 19, 2010
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Para mim,sem sombra de dúvida,um dos mais belos poemas da língua portuguesa,de uma beleza dolorida e perfeita.Fernando Pessoa,mais um dos grandes presentes de Portugal para o mundo.
Marcadores: Fernando Pessoa, Mar Português, poesia portuguesa
Traço,sozinho,no meu cubículo de engenheiro,o plano,
Formo o projeto,aqui isolado,
Remoto até de quem eu sou.
Ao lado,acompanhamento banalmente sinistro,
O ti-tac estalado das máquinas de escrever.
Que náusea da vida!
Que abjeção esta regularidade!
Que sono este ser assim!
Outrora ,quando fui outro,eram castelos e cavalarias
(ilustrações,talvez,de qualquer livro de infância),
Outrora,quando fui verdadeiro ao meu sonho,
Eram grandes paisagens do Norte,explícitas de neve,
Eram grandes palmares do sul,opulentos de verdes.
Outrora...
Ao lado,aompanhamento banalmente sinistro,
O tic-tac estalado das máquinas de escrever,
Temos todos duas vidas:
A verdadeira,que é a que sonhamos na infância,
E que continuamos sonhando,adultos,num substrato de névoa;
A falsa,que é a que vivemos em convivência com outros;
Que é a prática,a útil
Aquela em que acabam por nos meter num caixão
Na outra não há caixões nem mortes.
Há só ilustrações de infância:
Grandes livros coloridos,para ver mas não ler;
Grandes páginas de cores para recordar mais tarde.
Na outra somos nós,
Na outra vivemos;
Nesta morremos,que é o que viver quer dizer.
Neste momento,pela náusea,vivo só na outra...
Mas ao lado,acompanhamento banalmente sinistro,
Se,desmeditando,escuto,
Ergue a voz o tic-tac estalado das máquinas de escrever.
Inconstância
Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo
ă igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...
Florbela Espanca
Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo
ă igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...
Florbela Espanca
Marcadores: FLORBELA ESPANCA, poesia, poesia portuguesa
CAMÕES,OS LUSÍADAS-CANTO SEGUNDO,POESIA ESCRITA TALVEZ NO MAIS BELO PORTUGUÊS
Postado por
Unknown
às
domingo, fevereiro 01, 2009
já neste tempo o lúcido planeta
Que as horas vai do dia distinguindo,
Chegava à desejada e lenta meta,
A luz celeste às gentes enconbrindo,
E da casa marítma secreta
Lhe estava o Deus Noturno a porta
[abrindo
Quando as infidas gentes se chega-
[ram
Dentre eles um,que traz enco-
[mendado
O mortífero engano,assim dizia:
Capitão valeroso que cortado
Tens de Netuno o reino e salsa via,
O rei que manda esta ilha,alvoro-
[çado
Da vinda tua tem tanta alegria
Que não deseja mais que agasalhar-
[te
Ver-te e do necessário reformar-te.
(Luís de Camões-Os Lusíadas-Canto Segundo)
Marcadores: Camões, canto segundo, poesia portuguesa
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