CANÇÃO MATINAL-RUY ESPINHEIRA FILHO

a Ricardo Vieira Lima

Acorda bem cedo o homem
da casa de telha-vã
e abre janela e porta
como se abrisse a manhã.

E eis que a vida não é mais
nem triste,nem só,nem vã.
É doce:cheira a goiaba
e brilha como romã.

orvalhada.E ele caminha,
o homem,com passos de lã
para em nada perturbar
a quietude da manhã.

Já não há mágoas de perdas
nem angústias de amanhã,
pois a alma que há na calma
entre a goiaba e a romã

é a própria alma do homem
da casa de telha vã,
que declara a noite morta
e acende em si a manhã.

6 comentários:

nina

29 de março de 2009 21:23
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disse...

Bonita (a sua) selecção de poemas! Uma irrescusável oportuniddae de eu conhecer a literatura brasileira.
Abraços
PS: Eu também não aprovo o novo acordo ortográfico e por isso rescusou-me terminantemente a usá-lo :)

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disse...

Belo poema, James.
Obrigado por me informar sobre o texto que você vai postar sobre o livro de cartas da Simone de Beauvoir. Sempre quis ler esse livro, mas nunca tive a oportunidade. Ora não podia comprá-lo, nem achá-lo em bibliotecas, ora podia as dus coisas, mas não estava com cabeça pra tanto. Quando você postar o texto, eu gostaria de fazer um link no meu blog.
Grande abraço!

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disse...

Nina,obrigado.Acho que não houve,aqui no Brasil,nenhuma discussão sobre esse acordo ortográfico.Ele simplesmente nos foi imposto.Não concordo,e o acho inútil.

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disse...

Gilberto,devo postar o artigo sobre as cartas de Simone ainda essa semana.Fique a vontade para linka-lo.Abraço do james.

José

30 de março de 2009 12:42
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disse...

eis que a vida não é mais
nem triste,nem só,nem vã.

espero por esse dia!

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disse...

josé,acho que esse lance da vida talvez seja não levá-la tanto a sério,talvez.E chega sim,um belo dia que você começa a acha-la menos pesada,muito mais leve que agente jamais pensou.abraços do james.