Man in the mirror(Michael Jackson)




Uma das mais lindas canções de Michael Jackson,acusado de alienado,monstro,etc, entre outros 'mimos' dos invejosos de plantão.Num mundo conectado em tempo real,os desconectados da vida,esperando pelas migalhas do ocidente.Bom para mais uma vez,abrirmos nossos olhos.Viva Michael!

Blogagem Coletiva-Cd-Lado B-Dia Internacional Do Combate às Drogas


Há poucos dias,eu estava em um ponto de ônibus na zona sul de Belo Horizonte,quando se aproximou de mim um rapaz .Estava incrivelmente sujo,desse sujo nauseabundo de quem não toma banho há tempos.As roupas talvez tivessem sido roupas boas um dia.Mas o que mais me chamou a atenção foi o semblante devastado,cadavérico,e ao mesmo tempo com algo como que a lembrança de uma outra pessoa que um dia ele tivesse sido.Me pediu um real.A voz era baixa,quase inaudível.Olhei para ele,e não sei porque,pensei-esse cara não é um mendigo.É alguma outra coisa.Disse a ele que não tinha um real(o que é era verdade),e ele logo pediu à pessoa mais próxima.Pouco depois,o rapaz do carrinho de cachorro quente comentou com as pessoas no ponto:-Coitado,é 'crackeiro' de carteirinha,a família é 'de bacana',leva pra casa,interna em clínica,ele foge,correm atrás dele,acham novamente,ele foge de novo,por aí vai.Pensei no pobre rapaz,que não teria mais de vinte anos,no inferno pessoal em que vivia,atrelado a uma necessidade exterior que lentamente o destruía,pensei nos momentos de angústia que teria,pensando em uma outra vida que poderia ter existido não fosse o crack cavar lentamente seu buraco que vai dar na destruição do corpo,da mente,do espírito.E penso também nos pais,na mãe,que certamente deve se desesperar.
A história desse rapaz ilustra uma das maiores discussões contemporâneas:o uso e o abuso de drogas e seus efeitos devastadores no tecido social.Acredito que hoje,alguém dizer que 'as drogas abrem a cabeça' ou 'todos deveriam experimentar para ver como é',são mais que afirmações absurdas,frases destituídas de sentido,são exemplos da indiferença pelo sofrimento alheio,tanto do usuário quanto de sua família.
O problema das drogas no Brasil assumiu,na minha opinião,um aspecto tão catastrófico,que não há mais espaço para paliativos.O entrelaçamento do uso de drogas com a violência urbana,adquire aspectos cada vez mais preocupantes.O congresso nacional(que teoricamente deveria velar pelo bem estar dos cidadãos),nada faz para mudar o atual estado de coisas.Nao entendo o desinteresse dos políticos por esse assunto tão importante.Nós,como sociedade,devemos mudar a mentalidade,e pensar que as drogas REALMENTE causam muito sofrimento mental e físico,implosão dos laços familiares e sociais,violência sempre gerando mais violência.A caretice hoje é dos advogados do'liberou geral',que tentam passar por cima da realidade que os circunda a todo momento,sabe Deus movidos por quais motivos.É preciso repetir sim,sempre:DROGA MATA,e mata de muitas formas,algumas lentas,outras rápidas.E podem dizer:ele é careta sim.Acreditem,a droga não é libertação,é prisão física e psíquica,não é 'coisa de gente descolada',é coisa de gente que quer sofrer e fazer a familia e os amigos sofrerem.Engaje-se contra as drogas,não engane a si mesmo-elas são uma rua sem retorno.Fique na real,seja você mesmo(a).

MICHAEL JACKSON(1958-2009)-REQUIESCAT IN PACE

Valsa

Fez tanto luar que eu pensei nos teus olhos antigos
e nas tuas antigas palavras.
O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos,
que tornei a viver contigo enquanto o tempo passava.


Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto
e modelou tua voz entre as algas.
Eu moro,desde então,nas pedras frias que o céu protege
e estudo apenas o ar e as águas.


Coitado de quem pôs sua esperança
nas praias fora do mundo...
-Os ares fogem,viram-se as águas,
mesmo as pedras,com o tempo,mudam.


(Cecilia Meireles)

Selo "Playlist"

Meus amigos Paulo,do http://paulobraccini-filosofo.blogspot.com/,e Cris do http://nuvemsobreoatlantico.blogspot.com/,me presentearam como o selo Playlist



Regulamento:

O 'playlist' é uma campanha feita àquelas pessoas que vivem com uma trilha sonora(ou seja é para quem vive,anda,dirige,lê,estuda,com um Ipod/Mp3...em todos os momentos.Porque boa vida assim como um bom filme(adoro)-tem trilha sonora.Enfim,é para quem gosta de música!
O objetivo é relaxar=gozar a vida com muito prazer!Para participar é fácil(Tira a roupa e vem cá).Copie o selo,,publique em seu blog,e compartilhe seus gostos musicais,indicando:
01-A primeira música que lhe veio à cabeça agora-Ray of light(Madonna)
02-1 música para curtir com a paquera,namorado(rido)(a)/amante/amigos com benefícios...-Qualquer uma de João Gilberto.
03-1 música muito romântica(o que se pode dizer de:'seu tema de amor'-Fascinação-com Elis Regina.
04-1 música para tirar a roupa=sriptease(Ah,eu não gosto de stripper!Ora,faça de conta que seu(sua)melhor amiga(o) te pediu.Vai negar?-qualquer música eletrônica
05-1 música para uma boa transa(a transa pode até ser ruim,mas a música ótima)-Não costumo ouvir música nesses momentos...
06-1 música'I will Survive=hino gay
07-1 música que saiu do lixo ou para jogar no lixão-todas de axé e todas as babas do NX-0
08-Uma música que você ama,mas o DJ insiste em não tocar na balada-Não vou mais em 'balada'
09-Uma música da hora(música que está na moda e você adora)-Não sei(sério),não escuto muito rádio.
10-A música que você mais gosta em todo mundo(que exagero!)-Enjoy the Silence-Depeche Mode.
E o Playlist vai para:
1-Diógenes,do http://blogdediogenes.blogspot.com/
2-Carla do http://leituramaisqueobrigatoria.blogspot.com/
Abraços a todos.




Blogagem Coletiva-Solta o som(idealizada pelo Fio de Ariadne)

Desde muito criança,fui uma pessoa 'musical',tendo sido criado em meio à música popular brasileira,ao fado,e é claro,ao rock dos anos 60 e 70.O período que correspendeu ao início da minha adolescência,foi um periodo efervescente da história brasileira,com o final anunciado da ditadura militar e a abertura do Brasil às mais diferentes vertentes da música,sem censura ou patrulhamentos ideólogicos.Para minha geração,a primeira nascida depois do golpe de 64,os anos de contestação foram os anos 80(sustento a tese polêmica que devido à ditadura os anos 70 no Brasil foram de feroz repressão,e então, de pouca possibilidade de se expressar).Os amados (e às vezes ridicularizados) anos 80,foram realmente inesquecíveis e inenarráveis para quem os viveu com intensidade.Os 'meninos e meninas' de hoje devem à geração 80(e não só à dos anos 60/70)muita da liberdade que hoje usufruem.Me orgulho de ser dessa geração.
A música tem sido uma das melhores coisas da minha vida,embalando momentos importantes(alegres e também tristes),sendo intérprete de sua época e de suas tendências,contando nossas alegrias,nossas mágoas,nossas tristezas e nossas esperanças.Sempre achei que a boa música não deveria ser compartimentada em nichos,como se a MPB fosse pior que a música clássica ou o jazz fosse superior ao chorinho.Há músicas sublimes e músicas boas e ruins,como existem os caça-níqueis nossos do dia-a dia da tv.Ouço quase tudo,de música de raiz a ópera,de música brega a clássica.A música que me interessa é que a mexe com meus sentimentos ou com minha visão de mundo de alguma forma,que me faz lembrar como a vida é um presente apesar do preço que muitas vezes pagamos.Acredito piamente que assim como a literatura e arte,a música existe para interpretar o mundo.
Pensei em fazer uma lista de canções e músicas,mas logo vi que para mim,seria impossível:quais colocar e quais os critérios?Seria uma lista muito ,muito longa.Decidi,depois de muito pensar,colocar aqui duas canções que para mim,representam todo um mundo de sensações e emoções,na voz impressionante de dois dos maiores intérpretes de todos os tempos.
São essas vozes de certa forma,uma razão para acreditar no ser humano,na beleza mesma da condição humana,capaz de produzir espetáculos atrozes mas também momentos de beleza pura.


2012-Trailer

Para ver-Satyricon(1969) de Federico Fellini

Três malandros:Encólpio,Ascilto e Giton, viajam pelo império romano durante o reinado de Nero(54-68 d.c.),vivendo as mais bizarras e absurdas aventuras.Resumindo assim,Satyricon,uma das obras primas do grande Federico Fellini,pode parecer mais um desses filmes que se passam na antiguidade clássica.Mas ao adaptar a narrativa (na verdade um fragmento de uma obra muito mais extensa) atribuída a Petronius Arbiter(um aristocrata da corte imperial),Fellini realizou um de seus filmes mais contundentes e oníricos.
A sociedade retratada em Satyricon é a do império romano então 'senhor do mundo',no auge de seu poder e esplendor,ao mesmo tempo em que emergiam os primeiros sinais da decadência irreversível.Nessa época,dominada pela ostentação,pela opressão política e pela corrosão social,os romanos,por assim dizer,deitavam-se sobre a cama dourada propiciada pelo dinheiro vindo de todas as partes do mundo conhecido e dominado a ferro e fogo pelo poderoso exército do império.
A riqueza(imensa e usufruída por poucos)dava o tom de um modo de vida direcionado inteiramente para o prazer imediato(fosse ele de qualquer natureza)a qualquer custo.A elite e a classe média instruída enxergavam nos prazeres o único alento em um mundo brutal e sem os deuses em que não acreditavam mais;a chamada 'ralé'(os cidadãos romanos pobres) se apertavam nos subúrbios e nos cortiços das grandes cidades do império,sempre pronta para os horrores do circo e para a exigência de mais benefícios e menos trabalho;e os escravos,vistos como 'seres sem alma',meros 'animais de carga',esfalfavam-se para atender seus donos nas mais absurdas e inomináveis exigências. Em plena era 'flower power' do final dos anos 60,Fellini realiza Satyricon de maneira histriônica,quase operística,com cores fortes em meio às sombras.Seus três personagens principais passeiam por um mundo que oscila entre o sonho e o pesadelo,em cenários de um requinte seco,de tons lavados.Todo o furor suicida da elite romana e de seus párias nos é mostrado de uma maneira única,psicodélica,estonteante.Sem nenhum tom moralista ou moralizante,o diretor italiano mostra sem véus a opressão,a desesperança,o desprezo pelo outro,a grosseria de uma elite que se julga dona de valores inquestionáveis;mas que está perdida e nem mesmo sabe disso.Uma obra de protesto contra a mercantilização da vida e do ser humano,contra os que se pretendem ser o 'supra sumo' sem se dar conta que a opressão,de qualquer natureza,um dia cobra seu preço.Uma análise profunda da decadência de todos os sistemas que se auto- outorgam o título de organizadores e intérpretes de uma sociedade.Um apólogo contra a dominação ,contra o cinismo dos que se acham melhores que o 'resto'.Uma obra prima para ser vista com atenção.


Imagens de Teerã
















Essas imagens são do blog iraniano http://www.rottengods.com/

Mostram toda a selvageria do regime dos aiatolás e a tenacidade e bravura dos iranianos.
Esperemos que não se torne mais uma"tianamen Square".


Há escritores que buscam tentar desvendar,além das palavras,o intricado jogo de espelhos que é a sociedade humana.W(infred) G(eorg) Sebald,escritor alemão nascido em 1944 e falecido prematuramente em um acidente automobilístico em 2001,é um desses mestres que fazem um passeio cáustico pelas loucuras da história e seu encadeamento com nossas próprias vidas.

"Os anéis de Saturno"(1999),é, parafraseando o elogio do crítico do New York Times-"(...)como um sonho que você quer que dure para sempre"(...),ou do The Guardian-"(...)um dos mais notáveis e o mais sublime dos escritores europeus contemporâneos."O título,nada tem a ver com os anéis do planeta Saturno.Em dez capítulos,o narrador faz um passeio pela costa nordeste da Inglaterra,enquanto discorre sobre sua própria vida,a de amigos e passeia também por fatos (muitos deles ignominiosos)da história da humanidade,e por velhos palácios ingleses agora condenados à decadência.E é essa decadência mesma e também a transitoriedade da vida que perpassam o magnífico livro de Sebald.Passando pelo escritor anglo-polonês Joseph Conrad e sua viagem ao Congo do século XIX com os horrores da exploração colonial(de lá para cá parece que pouca coisa mudou),pela história da imperatriz chinesa Tz'u-hsi e sua fúria sanguinária pelo poder,Sebald entrelaça partes que nos mantém com uma ponta de esperança no trajeto humano pelo planeta.A vida do grande poeta inglês Algernon Charles Swinburne,o idílio entre Chateaubriand e Charlotte Ives e ainda Thomas Browne,perpassam a obra em momentos de grande beleza estilística(se é que os 'pós-modernos' me permitem usar essa palavra herética-beleza).O passeio pelas antigas casas senhoriais destruídas pelo tempo e pelo próprio fluir da vida humana,evoca um conceito que parece ser caro a Sebald-a transitoriedade de tudo,que no final das contas nos enobrece,muito mais do que nos enfraquece:tudo realmente passa,não só as pessoas,mas os lugares.
Sombras ilustres perpassam o texto de Sebald:Borges,Kafka,Thomas Browne,Swinburne,Conrad.As fotografias que supostamente ilustram o livro(uma do próprio Sebald),são como um truque irônico para os que buscam 'realismo' à moda antiga(ou atual?). Nessa obra prima dos nossos tempos o realismo não passa de um jogo,um pretexto para a discussão dos nossos próprios dilemas como espécie que se julga superior,da nossa própria vida feita de tantas contradições que se espelham na história e lançam tanto luz quanto sombra aos séculos.
Um dos mais belos e profundos livros(para tentar usar essas palavras tão surradas),que me foram dados ler nos últimos tempos.Uma daquelas obras que perduram dentro de nós por um longo tempo,e que às quais voltamos sempre.Como escreveu um leitor na primeira página do meu exemplar comprado em um sebo-"magnífico,inesquecível,grande obra".

Poema-Augusto Frederico Schmidt(1906-1965)

Repousarei na tua memória

A minha imagem.
Quando chegar a noite
E o vento me arrastar para os largos espaços,
Repousarei na tua memória a minha imagem.
E estarei em ti pousado,
Como a cor na superfície dos mares;
E estarei em ti como a emoção nas lágrimas;
E estarei em ti como a saudade nos olhos imóveis.
Irá da minha imagem
Para a tua compreensão
O sentimento do meu mistério,
O ignorado segredo dos movimentos do meu ser.
E ficarei em ti,iluminado
E distante,
E serei como a luz inútil,
Como a lanterna balançando
Nas pequenas estações passadas,
Nessa longa viagem sem termo.

Visões de Seurat,Georges(1859-1891)















































Você é contra ou a favor da liberação das drogas?Quais são seus argumentos contra ou a favor?Enquanto o debate aumenta no Brasil,a Bea do blog http://cd-ladob,resolveu lançar essa blogagem coletiva para discutir esse assunto que é um dos mais graves problemas de saúde pública no Brasil e no mundo.O que você pensa a respeito?Já pesou todos os prós e contras?Como lidar com essa situação que já se tornou caótica em nosso país?Como o usuário de drogas alimenta a violência?Analise e participe.Inscreva-se para a blogagem coletiva no http://cd-ladob.blogspot.com.

Bola de Nieve-No puedo ser feliz



Ignácio Jacinto Villa Fernández,mais conhecido por seu nome artístico Bola de Nieve,nasceu em Cuba em 1911.Um dos grandes compositores da música popular mundial,foi também grande pianista e dono de uma voz lendária.Suas interpretações eram famosas pelo grau de entrega de Bola às canções,com um extravasamento de sentimentos raras vezes visto entre cantores.Negro,homossexual,Bola sofreu na pele o preconceito imbecil e impiedoso (muito maior em sua época),mas soube manter-se lúcido e à tona,através de sua grande contribuição à humanidade,sua música ,que nunca será esquecida.Encantou personalidades como Pedro Almodóvar e Edith Piaf(que teve uma crise incontrolável de choro durante uma apresentação de Bola em Paris).Fez shows memoráveis como o do Carnegie Hall em Nova York em 1959,onde foi chamado de volta ao palco 9 vezes e aplaudido de pé.Bola de Nieve faleceu precocemente no México em 1971.
Sua música de dolorida beleza é uma ode aos sentimentos ,um comentário à precariedade do amor e à grandeza da vida.

No puedo ser feliz
Lucho Gatica
Composição: Bola de Nieve

No puedo ser feliz
no te puedo olvidar
siento que te perdi
y eso me hace pensar
He renunciado a ti
ardiente de pasion
no se puede tener
conciencia y corazon.
Hoy que ya nos separan
la ley y la razon
si las almas hablaran
en su conversacion
las nuestras se dirian
cosas de enamorados
no puedo ser feliz
no te puedo olvidar.

Para ver-"Os Outros"(2001),de Alejandro Amenábar

Porque os filmes de terror hoje são tão ruins?Talvez porque hoje se privilegie ou o 'terror sangueira'ou o chamado'terrir'.Que me perdoem os que dizem gostar de filmes como "O Albergue",em que o mais primário roteiro possível serve de motor a cenas que parecem ter saído de uma mente perturbada.Sim,talvez eu seja'moralista',mas quem sabe no sentido muito menos aparente da coisa:porque razão eu assistiria a um filme em que pessoas são torturadas,despedaçadas,etc?Há um viés de perversão nesse tipo de filme ou eles seriam catárticos?Enfim,não contem comigo para assisti-los.
E há os filmes de 'terrir',que parodiam esse tipo de cinema,às vezes com resultados surpreendentemente bons,embora a maioria seja também muito ruim.
Mas de vez em quando surgem filmes de terror(nem sei se seria essa a classificação),que são obras primas em seu gênero,como o já antológico"O Sexto Sentido"e o surpreendente e perturbador"Os Outros".
Dirigido pelo então estreante Alejandro Amenábar em 2001,"Os Outros" é basicamente uma história de fantasmas ambientada em uma mansão claustrofóbica que se ergue em meio às brumas de uma das ilhas do canal da Mancha.Grace(Nicole Kidman em outra interpretação memorável) é Grace,uma mulher perturbada e insegura cujo marido foi lutar na Primeira guerra;seus dois filhos sofrem de uma doença rara,não podendo com a luz do sol.Uma das chaves do filme é a oposição luz/vida-escuridão/morte.O cenário da imensa mansão vitoriana imersa nas trevas ,circundada pela bruma ,é impressionante pela quantidade de detalhes e de chaves narrativas.A câmera passeia sempre por ângulos inusitados e o diretor 'brinca' com o ponto de vista 'dos outros'(que somos nós,a família de Grace-morta e a família que se muda para a casa,esta viva).
Sem entrar em méritos religiosos-espirituais,a maneira como a história se desenvolve num crescendo de pistas falsas,aparências(também falsas),e sustos contínuos,é uma proesa da narrativa cinematográfica.A própria interpretação alucinada de Kidman confere verossimilhança ao desespero ensimesmado de Grace.O aspecto sombrio da casa,do mobiliário e os criados(arrepiantes),elaboram o conjunto soturno pretendido e conseguido pelo diretor Amenábar.Isso sem falar nos toques sutis sobre o sistema inglês de classes e seu pavoroso tratamento da 'criadagem'(qualquer semelhança com o Brasil dos elevadores de serviço é mera coincidência).
Um filme de horror à altura dessa classificação,sem efeitos especiais mirabolantes ou banhos de sangue repletos de sadismo;uma obra que não vacila em mergulhar no subconsciente das personagens e cutucar coisas muitas vezes desagradáveis ou inomináveis.
Uma obra prima que vale a pena assistir ou rever de vez em quando.

Carmem Miranda-Adeus Batucada(Tributo a Carmem Miranda)



Belo tributo a Carmem Miranda,com seus últimos momentos e a emocionante chegada de seu corpo ao Brasil,com a tristeza do povo,que via,com certeza,na cantora nascida em Portugal,e que veio para nosso país com um ano,uma expressão fiel da cultura brasileira e de seu poder de também ser universal.Linda homenagem a um ícone da brasilidade.

Durante muito tempo quis ter um blog.Cheguei a ensaiar uma tentativa que não foi adiante.Achava que devido a meu trabalho,eu não teria tempo para me dedicar a um blog.Sempre li blogs.E tinha uma inveja secreta-'se eles têm,porque não eu?'Enfim,em janeiro desse ano,durante as férias,resolvi começar de verdade.
Durante mais ou menos um mês,postei caudalosamente(rs),e não recebi sequer um comentário.Foi aí então,que,por assim dizer,minha ficha caiu.Não conhecia ninguém,ninguém me conhecia.Foi aí que comecei o processo de' conhecimento da blogosfera',quando comecei a visitar blogs,e a acompanhar aqueles que tinham afinidades comigo.E muitos blogueiros foram muito generosos comigo como a Leonor Cordeiro(Na dança das palavras),a incansável Vanessa(do fio de ariadne),o Rômulo(do Interdito),o Giba(do Leituras do Giba).E queria agradece-los,aqui.
Falo primeiramente sobre tudo isso,para evidenciar como é importante dar uma mão a quem está começando.Às vezes,temos toda a vontade do mundo,mas ninguém nos segue,ninguém comenta,é como se o blog não existisse.É muito importante essa força.
Tenho um blog basicamente para passar o que eu gosto às pessoas,para interagir com elas.E tenho achado ótimo o retorno que tenho tido.Não tenho a menor pretensão de ganhar dinheiro com o blog,ou conseguir ranking 5(se vier, ótimo,não vou arrancar os cabelos para isso).Tenho feito muitos amigos por aqui,e conhecido muitos e muitos blogs muito interessantes,cada um a sua maneira.Essa afirmação,que tem circulado por aí,que a web está chata,me é desmentida todos os dias pelos mais variados posts.E todos nós sabemos que ter e manter um blog,exige tempo e dedicação.Eu pessoalmente,não me dedicaria a algo em que não acreditasse.E estou adorando blogar.Adoro visitar meus blogs favoritos,comentar algum post que me agrada,ver e sentir a energia vibrante das pessoas.A blogosfera,para mim,tem sim,um sentido.Ela é,sem lugar comum ,uma zona de convergência,um laboratório de experimentações,uma fantástica experiência democrática.Fico muito feliz em ser parte dela e compartilhar esse espaço com tantas pessoas brilhantes que tenho descoberto por aqui.
Não se enganem,a vida da blogosfera respira forte,criativa,inspiradora.