Capital e humanidade-as lições da Europa

            Confesso que do conjunto de expressões criadas pela turma do "mercado",alguns até me horrorizam como "capital humano".A linguagem metafórica dos "Departamentos de Relações Humanas" refletem muito bem o momento que passa boa parte da humanidade-momento esse bem longe das metáforas.
A atual crise sistêmica,baseada em uma escala exponencial de especulação e precarização do trabalho(e consequentemente dos salários) consome o mundo.E continuamos a ouvir os arautos da entidade mercado gritarem:"mais flexibilização das leis trabalhistas","menos direitos sociais"!Assistimos agora na Europa,à luta do povo contra os governos aliados do capital transnacional.Irlanda,Grécia,Portugal (e agora a Itália)passam por arrocho histórico,com diminuição drástica dos direitos sociais e sua rede de proteção,obedecendo aos ditames do Banco Central Europeu e do famigerado FMI.Desses países,a Grécia é o que mais sofre-há diminuição de salários,do salário-desemprego,corte de aposentadorias,enfim todas as mazelas preconizadas pelo "mercado" para que meia dúzia de bancos "não percam dinheiro".O sistema de amparo social que o povo europeu conseguiu após a segunda guerra mundial foi algo sem precedentes na história da humanidade e creio que logicamente ,não vão querer entregar tudo ao "mercado" em um piscar de olhos.A luta está só começando,e essa luta dos europeus tem que servir de lição a todos nós-não nos deixemos enganar.A turminha do mercado financeiro não está nem um pouco interessada no ser humano em si,e sim,no que ele venha a valer ou consumir,simplesmente.É preciso não nos deixarmos enganar pela linguagem cifrada,repleta de metáforas óbvias e toscas da "banca".A demonização de toda e qualquer crítica a esse estado de coisas já é bastante conhecida.
E no Brasil,o que temos a construir ainda é uma rede mais ampla de proteção social(ao contrário do que dizem os adeptos do "vale-tudo" financeiro)-semana de 40 horas,aumento do tempo de seguro-desemprego,do salário real,melhoria do sistema de sáude pública.O estado do bem estar social nunca foi uma utopia,é a evolução mesma da humanidade.E nisso acredito firmemente."E la nave va"...Vamos ver se a humanidade reagirá à altura com os querem destrui-la.

2 comentários:

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disse...

Muitos países europeus ainda sofrem com a famigerada crise, em grande parte pelo despreparo de sua economia para enfrentá-la. É sabido que os países que optaram pela privatização nos anos 90/2000 saíram-se bem melhor que os que insistiram em manter sob controle do estado empresas vitais para o desenvolvimento do país, caso da Grécia, Rússia, etc. Agora pagam um alto preço pelo nacionalismo, e correr atrás do bonde é bem mais incômodo do que já estar lá dentro, confortavelmente sentado. Pra tanto, medidas desesperadas como estas devem ser tomadas, e, claro, nos deixam chocados, mas dada a situação não há muito a fazer: de nada adianta manter-se salários no patamar em que se encontram se não haverá recursos para pagá-los. é Triste? É, óbvio. Principalmente quando se pensa que os principais banqueiros envolvidos com a crise, continuam impunes, e tão ricos e cheios de privilégios quanto antes.

O problema é que não dá para se isolar. O capitalismo é uma grande dança, e quem não o acompanha não tem bônus no fim da noite.

Grande abraço, e bem vindo de volta ;)

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disse...

Assino em baixo das considerações feitas pelo Luciano ... o q precisamos é de humanização do capitalismo, tornando-o democrático e responsável ... pode até parecer utópico mas é a única saída ...