Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone.
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead,
Put crépe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song,
I thought that love would last forever: 'I was wrong'

The stars are not wanted now, put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.



Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Não deixem o cão ladrar aos ossos suculentos,
Silenciem os pianos e abafem o tambor
Tragam o caixão, deixem passar a dor.

Que os aviões voem sobre nós lamentando,
Escrevinhando no céu a mensagem: Ele Está Morto,
Ponham laços de crepe nos pescoços das pombas da região,
Que os polícias de trânsito usem luvas pretas de algodão.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste,
A minha semana de trabalho, o meu descanso de domingo,
O meu meio-dia, a minha meia-noite, a minha conversa, a minha canção;
Pensei que o amor ia durar para sempre: “não tinha razão”.

Agora as estrelas não são necessárias: apaguem-nas todas;
Emalem a lua e desmantelem o sol;
Despejem o oceano e varram a floresta;
Pois agora nada mais de bom nos resta.

BOM CARNAVAL PARA TODOS-CARMEM MIRANDA E ELIS REGINA




Meu Sonho (Cecília Meireles)

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar…
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar ?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar

PSYCHO TOP KILLER-INTRODUÇÃO-JAMES PENIDO


Foi quando saía do metrô,na estação da rua 47 com a quinta avenida,que viu o gigantesco outdoor.Uma moça loura e sorridente de maiô azul parada ao lado de uma piscina de água translúcida como numa pintura de David Hockney.A luz intensa de um verão impossível e imaginário cobria a grama,as árvores,o mar ao longe.Seu rosto levemente eslavo emanava a tranquilidade falsa dos que estão sempre felizes.os olhos muito azuis olhavam firme,num desafio em que havia alguma arrogância e uma ironia fina,como se fosse dizer-você nunca vai viver uma vida assim.
Parada na calçada,no meio da multidão quase compacta,das buzinas,do amarelo corruscante dos táxis,ficou olhando encantada a foto imensa.O painel tomava toda a lateral de um prédio falso rococó,cheio daquelas torrezinhas que são o charme e o ridículo de Nova York.Era ela.Era a sua foto,exposta para a cidade inteira(e porque não para o mundo?).O mundo da Vogue,Elle,Marie Claire,OG,L'Éternel,Mode.Um mundo de papel,de rotogravuras,.de dinheiro,do que sempre se quer e nunca se alcança.
De repente começou a rir perdidamente,num crescente sincopado.Cristo na cruz!Depois de tudo que passara,de todas as frustações e pequenos tormentos que por muitos anos tinham constituído sua vida,algo realmente estava acontecendo.
Uma onda de júbilo a envolvia quente,quente.Era aquela talvez,uma pequena amostra de alguma felicidade futura?Do tanque a Nova York não era mais ficção,nome de biografia fajuta,conto de fadas,mesa redonda do canal brega.Seus medos mais sinceros e por isso mesmo,mais profundamente enterrados,lentamente emergiam para sere mais uma vez enfrentados.O tempo das vacas magras,da carne roída até o osso,do lamber beirada de penico:todos os lugares comuns do anonimato e da pobreza se desvaneciam em sua mente.Porque o mundo existia de uma forma muito mais intensa e perturbadora,percebeu então.Estar no mundo e viver eram coisas muito distintas.
Não sabiam onde nascera,como era a casa em que vivera por muitos anos.Sórdido,agradável,pequeno,tranquilo,pobre-não eram só palavras?Queria provar a si mesma que tudo realmente passava,que as feridas da alma e do coraçao lentamente se fechavam.
Margarete,Iná,Dona sininha,Marquito:todos esses personagens de sua infância espectral de borralheira,agora moravamem um outro planeta.Aquele seu novo planeta de bolsas de dez mil dólarese edifícios de vidro fosco,ao mesmo tempo tão frio e tão quente,era onde deveria ter sempre vivido.Aquele fim de mundo do Paraná de onde viera,com suas casinhas de madeira que pouco a pouco se descoloriam com a chuva,era o lugar para onde nunca mais voltaria.Ela tinha certeza absoluta disso,porque muito maior que sua ambição era seu horror ao passado.