Leitura Coletiva-A Menor Mulher do Mundo-projeto do Fio de Ariadne e Minha Literatura Agora

A Menor mulher do Mundo é um conto emblemático de Clarice Lispector.Através dele podemos como que acompanhar a estrutura da escrita clariceana.É mesmo verdade,acredito,que quando dizemos ´'O que seria da literatura brasileira sem Machado de Assis,Guimarães Rosa e Clarice Lispector,estamos mesmo nos remetendo à própria grandeza literária dessa trindade,que paira sobre a nossa literatura como uma espécie de 'entidade tutelar'.
Clarice,em sua literatura,nunca se preocupa com o realismo das situações-não há uma história,no sentido convencional;o que importa é a análise interior das personagens,o arcabouço interno dos seres.Existe um ausência de enredo tal qual conhecemos;os 'acontecimentos'são meros pretextos para a análise psicológica das personagens.E mais interessante ainda,a própria análise dos fenômemos sociais ocorre dentro da mente das personagens.A literatura de Clarice é uma leitura também da solidão do ser humano,do desentendimento,do conflito mental.Os 'mapas mentais'clariceanos e sua 'veredas'são os ecos de um outro sertão,que não tão longe daquele de Rosa,nos falam do que sentimos,do que mostramos e também do que escondemos.
Em "A Menor mulher do mundo",o 'enredo'é a estória de um explorador francês,Marcel Petre,que encontra,em meio aos pigmeus do Congo,a menor mulher do mundo.Nesse conto,Clarice nos mostra seu gênio,encadeando análise psicológica com análise social de maneira magistral.A menor mulher do mundo,em todos os contextos é 'o outro',o diferente,o do qual se tem medo.As metáforas exprimem tudo-"como uma caixa dentro de uma caixa","escura como um macaco","o sonso perigo da África".As reações da menor mulher e do explorador são muito parecidas-ambos se identificam/se estranham em suas diferenças.Clarice enfatiza o fascínio que exerce a menor mulher do mundo-"Nem os ensinamentos dos sábios da Índia são tão raros.Nem o homem mais rico do mundo já pôs os olhos sobre tanta estranha graça.Ali estava uma mulher que a gulodice do mais fino sonho jamais pudera imaginar".E começa a esmiuçat as reações à fotografia de' pequena flor' nos jornais.Uma mulher não quis olhar uma segunda vez"porque me dá aflição",outra sentiu tanta ternura que -"jamais se deveria deixar Pequena flor sozinha com a ternura da senhora.Quem sabe a que escuridão de amor pode chegar o carinho."Uma mãe diz à filha-"(...)é tristeza de bicho,não é tristeza humana',diz outra mulher.Assim Clarice vai analisando os mais cruéis dispositivos sociais de exclusão do outro,do diferente,com suas hipocrisias inerentes e aparentes,seus desprezos pela igualdade na diferença.Clarice maneja as metáforas dentro de um espelho de preconceito social de uma maneira impressionante(que iria levar às últimas consequências em "A hora da estrela"),enfatizando que além de um ser social,os seres humanos são 'seres emocionais'.E nesse conto cheio de metáforas surpreendentes,Clarice nos diz como pode ser perigoso o medo da diferença,e o quanto a diferença também pode ser interessante e enriquecedora ou como diz a velha no final-"pois olhe,eu só lhe digo uma coisa:Deus sabe o que faz...".

16 comentários:

Joaquim

22 de julho de 2009 11:26
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disse...

James, minha escrita foi bastante corrompida pela internet. Mas estou tentando melhorar.

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disse...

parabéns James ... Clarice é a própria metáfora ... adooooro ...

;-)

Mylla Galvão

22 de julho de 2009 11:49
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disse...

Oi James,
Saudades de vc, caro amigo...
Estou no Leitura Coletiva apartir de Domingo dia 26/07 com a crônica de Fernando Sabino - O Homem Nu -

Gostei da sua resenha da Clarice Lispector, apesar de não apreciar sua literatura... Deu até vontade de ler! Muito boa mesmo! Parabéns!

Cris Caetano

22 de julho de 2009 12:29
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disse...

Gosto muito de Clarice.

Beijinhos

Mauri Boffil

22 de julho de 2009 12:54
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disse...

Adorei!!!!
James, tenho duvidas

Valdeir Almeida

22 de julho de 2009 20:22
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disse...

James,

Gostei de sua análise crítica a respeito deste conto.

Em "A menor mulher do mundo" Clarice Lispector apresenta seus personagens de modo íntimista, como em toda sua obra.

Abraços.

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disse...

James,

Gosto muito da literatura de Clarice, e gostei muito de seu post, você analisou muito bem o conto, "passando" a quem lê o post uma imagem clara do que trata a obra, mesmo que seu leitor aind não a tenha lido, como é o meu caso.

Grande abraço, e parabéns pela iniciativa da Coletiva.

james p.

25 de julho de 2009 13:16
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disse...

Acho que não joaquim,ou seu nível de exigência é muito alto!Obrigado,volte sempre.Um abraço.

james p.

25 de julho de 2009 13:17
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disse...

é isso mesmo,Paulo,acho que a mior metáfora de todas é a própria Clarice.Um grande abraço,meu querido.

james p.

25 de julho de 2009 17:41
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disse...

Mylla,-"A menor mulher do mundo" seria uma porta de entrada para a literatura de Clarice.Agyardo seus post sobre "O home nu".Obrigado pela visita.Um beijo.

james p.

25 de julho de 2009 17:47
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disse...

Que booom que você também gosta de Clarice,Cris!Beijos,guria!

james p.

25 de julho de 2009 17:49
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disse...

Mauri ,meu caro.eu sabia que você gostava de Clarice!Estou aguradando ansioso sua resenha.Um grande abraço.

james p.

25 de julho de 2009 17:56
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disse...

Caro Valdeir,obrigado por vir aqui no meu canto.fiquei muito feliz por você ter voltado à blogosfera.Bem vindo de volta.grande abraço.

james p.

25 de julho de 2009 18:05
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disse...

Luciano,obrigado pela vista de sempre.E parabéns pelo novo blog.Gostei muito do que lin por lá.Clarice é mesmo para a vida,não só para a literatura.Abraços.

APPedrosa

25 de julho de 2009 19:13
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disse...

James, esse projeto de vocês é muito bom mesmo. Parabéns.
Beijos

james p.

25 de julho de 2009 19:21
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disse...

Ana Paula,esses projetos com a Vanessa são sempre um prazer.e ela,como sempre,icnasável em promover a cultura.Grande Vanessa!Um abraço,querida.obrigado por vir aqui tantas vezes.