Poesia-Último Soneto- Mário de Sá Carneiro(1890-1926)



Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes, e vieste...
--- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço ---
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...

3 comentários:

Paulo Braccini

19 de março de 2010 11:44
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1

disse...

Toda aquilo que nos toca de maneira profunda e marca a nossa existência para todo o sempre, nunca será esquecida ... não importa o tempo, não importa os caminhos tortuosos que a vida nos imponha ... ela será uma emoção eterna e nos acalentará por toda a nossa caminhada ...

Magnífico este soneto ... amei

bjux

;-)

Mylla Galvão

19 de março de 2010 14:03
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1

disse...

Triste esse soneto...
mas mto marcante!

bjs

Du

22 de março de 2010 18:18
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1

disse...

Não conhecia James, gostei muito!

Vim especialmente agradecer teu carinho no comentário do blog enquanto eu estava doente, ainda estou me recuperando, mas já estou bem melhor!

Muito obrigada, viu?

Beijos