MICHAEL JACKSON(1958-2009)-REQUIESCAT IN PACE

Valsa

Fez tanto luar que eu pensei nos teus olhos antigos
e nas tuas antigas palavras.
O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos,
que tornei a viver contigo enquanto o tempo passava.


Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto
e modelou tua voz entre as algas.
Eu moro,desde então,nas pedras frias que o céu protege
e estudo apenas o ar e as águas.


Coitado de quem pôs sua esperança
nas praias fora do mundo...
-Os ares fogem,viram-se as águas,
mesmo as pedras,com o tempo,mudam.


(Cecilia Meireles)

Selo "Playlist"

Meus amigos Paulo,do http://paulobraccini-filosofo.blogspot.com/,e Cris do http://nuvemsobreoatlantico.blogspot.com/,me presentearam como o selo Playlist



Regulamento:

O 'playlist' é uma campanha feita àquelas pessoas que vivem com uma trilha sonora(ou seja é para quem vive,anda,dirige,lê,estuda,com um Ipod/Mp3...em todos os momentos.Porque boa vida assim como um bom filme(adoro)-tem trilha sonora.Enfim,é para quem gosta de música!
O objetivo é relaxar=gozar a vida com muito prazer!Para participar é fácil(Tira a roupa e vem cá).Copie o selo,,publique em seu blog,e compartilhe seus gostos musicais,indicando:
01-A primeira música que lhe veio à cabeça agora-Ray of light(Madonna)
02-1 música para curtir com a paquera,namorado(rido)(a)/amante/amigos com benefícios...-Qualquer uma de João Gilberto.
03-1 música muito romântica(o que se pode dizer de:'seu tema de amor'-Fascinação-com Elis Regina.
04-1 música para tirar a roupa=sriptease(Ah,eu não gosto de stripper!Ora,faça de conta que seu(sua)melhor amiga(o) te pediu.Vai negar?-qualquer música eletrônica
05-1 música para uma boa transa(a transa pode até ser ruim,mas a música ótima)-Não costumo ouvir música nesses momentos...
06-1 música'I will Survive=hino gay
07-1 música que saiu do lixo ou para jogar no lixão-todas de axé e todas as babas do NX-0
08-Uma música que você ama,mas o DJ insiste em não tocar na balada-Não vou mais em 'balada'
09-Uma música da hora(música que está na moda e você adora)-Não sei(sério),não escuto muito rádio.
10-A música que você mais gosta em todo mundo(que exagero!)-Enjoy the Silence-Depeche Mode.
E o Playlist vai para:
1-Diógenes,do http://blogdediogenes.blogspot.com/
2-Carla do http://leituramaisqueobrigatoria.blogspot.com/
Abraços a todos.




Uma imagem vale(mesmo )mais que mil palavras

Blogagem Coletiva-Solta o som(idealizada pelo Fio de Ariadne)

Desde muito criança,fui uma pessoa 'musical',tendo sido criado em meio à música popular brasileira,ao fado,e é claro,ao rock dos anos 60 e 70.O período que correspendeu ao início da minha adolescência,foi um periodo efervescente da história brasileira,com o final anunciado da ditadura militar e a abertura do Brasil às mais diferentes vertentes da música,sem censura ou patrulhamentos ideólogicos.Para minha geração,a primeira nascida depois do golpe de 64,os anos de contestação foram os anos 80(sustento a tese polêmica que devido à ditadura os anos 70 no Brasil foram de feroz repressão,e então, de pouca possibilidade de se expressar).Os amados (e às vezes ridicularizados) anos 80,foram realmente inesquecíveis e inenarráveis para quem os viveu com intensidade.Os 'meninos e meninas' de hoje devem à geração 80(e não só à dos anos 60/70)muita da liberdade que hoje usufruem.Me orgulho de ser dessa geração.
A música tem sido uma das melhores coisas da minha vida,embalando momentos importantes(alegres e também tristes),sendo intérprete de sua época e de suas tendências,contando nossas alegrias,nossas mágoas,nossas tristezas e nossas esperanças.Sempre achei que a boa música não deveria ser compartimentada em nichos,como se a MPB fosse pior que a música clássica ou o jazz fosse superior ao chorinho.Há músicas sublimes e músicas boas e ruins,como existem os caça-níqueis nossos do dia-a dia da tv.Ouço quase tudo,de música de raiz a ópera,de música brega a clássica.A música que me interessa é que a mexe com meus sentimentos ou com minha visão de mundo de alguma forma,que me faz lembrar como a vida é um presente apesar do preço que muitas vezes pagamos.Acredito piamente que assim como a literatura e arte,a música existe para interpretar o mundo.
Pensei em fazer uma lista de canções e músicas,mas logo vi que para mim,seria impossível:quais colocar e quais os critérios?Seria uma lista muito ,muito longa.Decidi,depois de muito pensar,colocar aqui duas canções que para mim,representam todo um mundo de sensações e emoções,na voz impressionante de dois dos maiores intérpretes de todos os tempos.
São essas vozes de certa forma,uma razão para acreditar no ser humano,na beleza mesma da condição humana,capaz de produzir espetáculos atrozes mas também momentos de beleza pura.


2012-Trailer

Para ver-Satyricon(1969) de Federico Fellini

Três malandros:Encólpio,Ascilto e Giton, viajam pelo império romano durante o reinado de Nero(54-68 d.c.),vivendo as mais bizarras e absurdas aventuras.Resumindo assim,Satyricon,uma das obras primas do grande Federico Fellini,pode parecer mais um desses filmes que se passam na antiguidade clássica.Mas ao adaptar a narrativa (na verdade um fragmento de uma obra muito mais extensa) atribuída a Petronius Arbiter(um aristocrata da corte imperial),Fellini realizou um de seus filmes mais contundentes e oníricos.
A sociedade retratada em Satyricon é a do império romano então 'senhor do mundo',no auge de seu poder e esplendor,ao mesmo tempo em que emergiam os primeiros sinais da decadência irreversível.Nessa época,dominada pela ostentação,pela opressão política e pela corrosão social,os romanos,por assim dizer,deitavam-se sobre a cama dourada propiciada pelo dinheiro vindo de todas as partes do mundo conhecido e dominado a ferro e fogo pelo poderoso exército do império.
A riqueza(imensa e usufruída por poucos)dava o tom de um modo de vida direcionado inteiramente para o prazer imediato(fosse ele de qualquer natureza)a qualquer custo.A elite e a classe média instruída enxergavam nos prazeres o único alento em um mundo brutal e sem os deuses em que não acreditavam mais;a chamada 'ralé'(os cidadãos romanos pobres) se apertavam nos subúrbios e nos cortiços das grandes cidades do império,sempre pronta para os horrores do circo e para a exigência de mais benefícios e menos trabalho;e os escravos,vistos como 'seres sem alma',meros 'animais de carga',esfalfavam-se para atender seus donos nas mais absurdas e inomináveis exigências. Em plena era 'flower power' do final dos anos 60,Fellini realiza Satyricon de maneira histriônica,quase operística,com cores fortes em meio às sombras.Seus três personagens principais passeiam por um mundo que oscila entre o sonho e o pesadelo,em cenários de um requinte seco,de tons lavados.Todo o furor suicida da elite romana e de seus párias nos é mostrado de uma maneira única,psicodélica,estonteante.Sem nenhum tom moralista ou moralizante,o diretor italiano mostra sem véus a opressão,a desesperança,o desprezo pelo outro,a grosseria de uma elite que se julga dona de valores inquestionáveis;mas que está perdida e nem mesmo sabe disso.Uma obra de protesto contra a mercantilização da vida e do ser humano,contra os que se pretendem ser o 'supra sumo' sem se dar conta que a opressão,de qualquer natureza,um dia cobra seu preço.Uma análise profunda da decadência de todos os sistemas que se auto- outorgam o título de organizadores e intérpretes de uma sociedade.Um apólogo contra a dominação ,contra o cinismo dos que se acham melhores que o 'resto'.Uma obra prima para ser vista com atenção.


Imagens de Teerã
















Essas imagens são do blog iraniano http://www.rottengods.com/

Mostram toda a selvageria do regime dos aiatolás e a tenacidade e bravura dos iranianos.
Esperemos que não se torne mais uma"tianamen Square".


Há escritores que buscam tentar desvendar,além das palavras,o intricado jogo de espelhos que é a sociedade humana.W(infred) G(eorg) Sebald,escritor alemão nascido em 1944 e falecido prematuramente em um acidente automobilístico em 2001,é um desses mestres que fazem um passeio cáustico pelas loucuras da história e seu encadeamento com nossas próprias vidas.

"Os anéis de Saturno"(1999),é, parafraseando o elogio do crítico do New York Times-"(...)como um sonho que você quer que dure para sempre"(...),ou do The Guardian-"(...)um dos mais notáveis e o mais sublime dos escritores europeus contemporâneos."O título,nada tem a ver com os anéis do planeta Saturno.Em dez capítulos,o narrador faz um passeio pela costa nordeste da Inglaterra,enquanto discorre sobre sua própria vida,a de amigos e passeia também por fatos (muitos deles ignominiosos)da história da humanidade,e por velhos palácios ingleses agora condenados à decadência.E é essa decadência mesma e também a transitoriedade da vida que perpassam o magnífico livro de Sebald.Passando pelo escritor anglo-polonês Joseph Conrad e sua viagem ao Congo do século XIX com os horrores da exploração colonial(de lá para cá parece que pouca coisa mudou),pela história da imperatriz chinesa Tz'u-hsi e sua fúria sanguinária pelo poder,Sebald entrelaça partes que nos mantém com uma ponta de esperança no trajeto humano pelo planeta.A vida do grande poeta inglês Algernon Charles Swinburne,o idílio entre Chateaubriand e Charlotte Ives e ainda Thomas Browne,perpassam a obra em momentos de grande beleza estilística(se é que os 'pós-modernos' me permitem usar essa palavra herética-beleza).O passeio pelas antigas casas senhoriais destruídas pelo tempo e pelo próprio fluir da vida humana,evoca um conceito que parece ser caro a Sebald-a transitoriedade de tudo,que no final das contas nos enobrece,muito mais do que nos enfraquece:tudo realmente passa,não só as pessoas,mas os lugares.
Sombras ilustres perpassam o texto de Sebald:Borges,Kafka,Thomas Browne,Swinburne,Conrad.As fotografias que supostamente ilustram o livro(uma do próprio Sebald),são como um truque irônico para os que buscam 'realismo' à moda antiga(ou atual?). Nessa obra prima dos nossos tempos o realismo não passa de um jogo,um pretexto para a discussão dos nossos próprios dilemas como espécie que se julga superior,da nossa própria vida feita de tantas contradições que se espelham na história e lançam tanto luz quanto sombra aos séculos.
Um dos mais belos e profundos livros(para tentar usar essas palavras tão surradas),que me foram dados ler nos últimos tempos.Uma daquelas obras que perduram dentro de nós por um longo tempo,e que às quais voltamos sempre.Como escreveu um leitor na primeira página do meu exemplar comprado em um sebo-"magnífico,inesquecível,grande obra".

Poema-Augusto Frederico Schmidt(1906-1965)

Repousarei na tua memória

A minha imagem.
Quando chegar a noite
E o vento me arrastar para os largos espaços,
Repousarei na tua memória a minha imagem.
E estarei em ti pousado,
Como a cor na superfície dos mares;
E estarei em ti como a emoção nas lágrimas;
E estarei em ti como a saudade nos olhos imóveis.
Irá da minha imagem
Para a tua compreensão
O sentimento do meu mistério,
O ignorado segredo dos movimentos do meu ser.
E ficarei em ti,iluminado
E distante,
E serei como a luz inútil,
Como a lanterna balançando
Nas pequenas estações passadas,
Nessa longa viagem sem termo.