Que rosas fugitivas foste ali! Requeriam-te os tapetes, e vieste... --- Se me dói hoje o bem que me fizeste, É justo, porque muito te devi. Em que seda de afagos me envolvi Quando entraste, nas tardes que apareceste! Como fui de percal quando me deste Tua boca a beijar, que remordi... Pensei que fosse o meu o teu cansaço --- Que seria entre nós um longo abraço O tédio que, tão esbelta, te curvava... E fugiste... Que importa? Se deixaste A lembrança violeta que animaste, Onde a minha saudade a Cor se trava?...
Poesia-Último Soneto- Mário de Sá Carneiro(1890-1926)
Livros-Em Nome de Sua Majestade,a morte de Jean Charles de Menezes no metrô de Londres(Ivan Sant'Anna)
Em seu excelente livro-reportagem,Ivan Sant'Anna nos conta a história da vida e da morte do jovem e trabalhador Jean Charles,desde sua saída do Brasil para tentar uma vida melhor em Londres,passando por sua relativa prosperidade na Inglaterra,até sua morte estúpida e planejada nas mãos das autoridades de segurança da Grã-Bretanha.
O fênomeno da diáspora brasileira(que parece estar tendo um refluxo devido ao constante crescimento do país),ainda não foi devidamente estudado em todas as suas variantes.No passado,milhões de italianos,espanhóis,portugueses,irlandeses,etc,emigraram devido às más condições econômicas de seus respectivos países.(que hoje são países ricos).A diáspora brasileira tem particularidades diferentes e sui-generis,que não estão presentes na realidade dos outros imigrantes.Está provado que as comunidades brasileiras se integram muito pouco à realidade dos países que as recebem,devido a vários fatores:a forte cultura brasileira,muito específica(sim,nossa cultura é uma das mais fortes e características do planeta),ao choque cultural e claro,climático(onde essa nossa luz nesses países quase sempre cinzentos?).
Jean Charles,porém,tinha amigos ingleses e parecia estar bem integrado ao país onde vivia.
Sant'Anna escreve um livro objetivo e imparcial,e nos conta toda a trama macabra que foi a morte desse rapaz,um garoto inteligente,que trabalhava muito e queria prosperar.A operação equivocada da Scotland Yard que resultou na morte de Jean foi negada até quando não foi mais possível esconder e veio à tona pelo empenho de algumas pessoas como a funcionária da corregedoria Lana Vanderberghe,do jornalista Neil Garret e sua namorada Louise McGing,que se arriscaram ao revelar a verdade(e foram perseguidos depois,isso num país de "primeiro mundo").
Uma excelente obra,que acompanha passo a passo esse crime monstruoso que foi o assassinato de Jean Charles,e a farsa montada pela Inglaterra para acobertá-lo e depois justifica-lo.
Que nossos jovens possam de fato,voltar para o seu país e nos ajudar a construi-lo.Viva Jean Charles!
Em Nome de Sua Majestade-A morte de Jean Charles de Menezes no metrô de Londres-de Ivan Sant'Anna-Editora Objetiva-174 pgs.
Para mim,uma das mais belas e comoventes coleções de sons que conheço.Claude Debussy nos emociona fazendo uma música do coração,evocando os nossos próprios "mundos perdidos",nos trazendo uma nostalgia que nos conforta,que nos deixa leve.De repente,nos lembramos que somos parte de um todo,partilhando um inconsciente coletivo imensamente rico.A música em si, para 'ouvir e sonhar',mas sem alienações.
Cinema(E meu Oscar vai para...Blogagem Coletiva-Grande Hotel-Melhor filme de 1932)
A Vanessa mais uma vez propos uma blogagem coletiva,dessa vez sobre um dos filmes vencedores do Oscar.
Escolhi um filme que muito pouca gente conhece-Grande Hotel(Grand Hotel),Oscar de melhor filme em 1932.
Livros-Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre ,Tête-à-Tête-de Hazel Rowley )
Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre-Tête-à-Tête,de Hazel Rowley,Editora Objetiva.
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Petição-Diga não à pena de morte para os gays em Uganda
Uma petição está circulando pela Europa,América Latina e EUA,para pedir ao presidente de Uganda o não-sancionamento dessa lei absurda,desumana e hedionda.E a União Européia tem ameaçado o país com sanções se a lei for aprovada.
Vamos colaborar.Assinem AQUI a petição online.
Obrigado a todos por colaborar.Um abraço.
Desde o tempo sem número em que as origens se elaboram,
se estendem para mim os seus braços eternos,
que um estatuário de caminhos invisíveis
construiu com a cor e o frio e o som morto de mármores,
para que em teu abraço haja imóveis invernos.
Tu bem sabes que sou uma chama da terra,
que ardentes raízes nutrem meu crescer sem termo;
adestrei-me com o vento,e a minha festa é a tempestade,
e a minha imagem,como jogo e pensamento,
abre em flor o silêncio,para enfeitar alturas e ermo.
Os teus braços que vêm com essa brancura incalculável
que de tão ser sem cor nem se compreende como existe
-são os braços finais em que cedem os corpos,
e a alma cai sem mais nada,exausta de seu próprio nome,
com uma improvável forma,um vão destino e um peso triste.
Pois eu,que sinto bem esses teus braços paralelos,
na atitude sem dor que é o rumo e o ritmo dessa viagem,
digo que não cairei com uma fadiga permitida,
que não apagarei este desenho puro e ardente
com que,de fogo e sangue,foi traçada a minha imagem.
Eu ficarei em ti,mísera,inútil,mas rebelde,
última estrela só,do campo infiel aos seus escassos.
E tu mesma achará pasmos de lagos e areias,
diante da forma exígua,sustentada só de sonho,
mantendo chama e flor no gelo dos teus braços.







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