"Shine On You Crazy Diamond"(Homenagem a Syd Barret)


Shine On You Crazy Diamond

Remember when you were young, you shone like the sun.
Shine on you crazy diamond.
Now there's a look in your eyes, like black holes in the sky.
Shine on you crazy diamond.
You were caught on the crossfire of childhood and stardom, blown on the steel breeze.
Come on you target for faraway laughter, come on you stranger, you legend, you martyr,
and shine!
You reached for the secret too soon, you cried for the moon.
Shine on you crazy diamond.
Threatened by shadows at night, and exposed in the light.
Shine on you crazy diamond.
Well you wore out your welcome with random precision, rode on the steel breeze.
Come on you raver, you seer of visions, come on you painter, you piper, you prisoner,
and shine!
Nobody knows where you are, how near or how far.
Shine on you crazy diamond.
Pile on many more layers and I'll be joining you there.
Shine on you crazy diamond.
And we'll bask in the shadow of yesterday's triumph, and sail on the steel breeze.
Come on you boy child, you winner and loser, come on you miner for truth and delusion,
and shine!
tradução aqui e imagem daqui

  Syd Barret(1946-2006),o lendário guitarrista e letrista,um dos fundadores do Pink Floyd em 1965,foi uma das figuras mais brilhantes e trágicas de sua geração.Rebelde à moda de Rimbaud,viveu à risca o tríptico sexo,drogas e rock'n'roll.A partir de 1967,seu assustador consumo de LSD e haxixe,o levou a desenvolver a doença mental que já se manifestava intermitentemente ao longo dos anos.O álbum "A saucerful  of Secrets" foi o último em que tomou parte.Uma da 'vítimas' mais famosas dos excessos psicodélicos dos anos 60,Sid influenciou,apesar do pouquíssimo tempo em que passou no Pink Floyd,uma imensa quantidade de guitarristas.Sua bela figura de 'gênio torto' está hoje congelada no tempo,numa ode à genialidade e num lamento pelo infortúnio precoce.

Poema Visual(grafite anônimo)



imagem daqui

Para ler-"O Perfume" de Patrick Süskind

            "No século XVIII viveu na França um homem que pertenceu à galeria das mais geniais e detestáveis figuras daquele século nada pobre em figuras geniais e detestáveis.A sua história é contada aqui.Ele se chamava Jean-Baptiste Grenouille e se,ao contrário do nome de outros geniais monstros como,digamos,Sade,Saint-Just,Fouché,Bonaparte etc.;o seu nome caiu hoje no esquecimento,isto certamente não ocorreu porque Grenouille tenha ficado atrás desses homens das trevas mais famosos em termos de arrogância,desprezo à raça humana,imoralidade,ou seja,em impiedade,mas porque o seu gênio e a sua única ambição se concentravam numa área que não deixa rastros na história:o fugaz reino dos perfumes."
              Assim começa "O Perfume-História de um assassino" do alemão Patrick Süskind(1949),publicado em 1985.A concepção do livro é literalmente fantástica-a história de um homem capaz de guardar em sua memória olfativa todo e qualquer cheiro que tivesse aspirado uma vez que fosse.Como diz Süskind no livro,os habitantes do ocidente hoje,dificilmemte poderiam entender a extensão do mau cheiro reinante em uma época como o século XVIII.A assepsia de qualquer espécie era praticamente desconhecida,e o mau cheiro reinava absoluto.Nesse reino desagradável da sujeira e da eterna fedentina,Grenouille tenta chegar á fragrância ideal,que o tornaria irresistível,amado até à loucura.Porque nascido em um mercado de peixes próximo ao nauseabundo Cemetiére des Inocents em Paris,filho de uma mãe totalmente indiferente á sua sorte e que certamente,o o teria deixado morrer ali,em meio às carcaças dos peixes retalhados,Grenouille muito cedo percebeu que ninguém o amaria por si só;a ele,feio,corcunda,apagado.Só o perfume supremo o salvaria,o conduziria ao caminho doce do amor,da adoração.
             Asssitimos então às peripécias de Grenouille,de seu nascimento espúrio,passando por seus empregos (bem no espírito da época-em que era tratado como um escravo),até sua descoberta do perfume perfeito e suas nefastas consequências.
                      Sublime parábola sobre a busca desenfreada de uma felicidade que muitos  pensamos ser e estar exterior a nós,"O Perfume"nos revela como a busca da perfeição pode encobrir meios e fins muito mais imorais(e mais ainda,amorais)que pensamos ou queremos.Alegoria política do mau cheiro eterno dessa mesma política,"O Perfume"não por acaso,se passa na época em que Voltaire e Rousseau elaboraram sua filosofia da liberdade,do questionamento da opressão política.O contraste é óbvio entre sujo-limpo,assim como entre loucura-normatização.Romance psicológico,obra erudita(à moda de Umberto Eco),tratado sobre a crueldade ou a intolerância,esse é um livro de reais e múltiplas leituras,que nos causa,porque não um "estranho'prazer em ler.Grande obra.
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Para ver-Cena final de "Rainha Cristina"(1933) de Rouben Mamoulian


Essa é a cena final de "Queen Christina"(Rainha Cristina),de Rouben Mamoulian(1933).Uma das mais belas e citadas cenas finais de filmes,objeto até de teses em cursos de cinema.Cristina,a revolucionária rainha da Suécia(1626-1689),perde o amante Don Antonio em um duelo.Amargurada,ela abdica ao trono e deixa a Suécia.Sozinha na proa do navio,Cristina vive toda sua tristeza e desespero.Cena emblemática,de uma época em que o cinema era mesmo a sétima arte,mostra todo o poder do rosto hipnótico de Garbo.À medida que a câmera se aproxima de seu rosto,ela parece fitar o nada,totalmente projetada para dentro de si mesma.
Garbo diz em suas memórias que pediu instruções a Mamoulian sobre qual expressão facial ele sugeriria.Mamoulian disse a ela:-Não pense em nada,fique fazia.Vislumbre um vazio dentro de você.O resultado é este:beleza em estado puro,que,infelizmente,poucas vezes nos é dado ver em nossa triste época.

Enquanto isso no Brasil...


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Para ver-"Blade Runner" de Ridley Scott(1982)

"O futuro não é mais o que era antigamente",diz o grande Renato Russo em uma de suas canções.E isso parece se tornar mais e mais verdadeiro à medida que avançamos no tempo e na história.Os últimos 200 anos só confirmaram nosso imenso talento para causar sofrimentos sem conta à nossa própria espécie e às outras(muitos de nós ainda se acham superiores aos animais-vã ilusão),enquanto uma parte da humanidade conseguia progressos nunca antes vistos em saúde,educação,democracia e direitos iguais.Essa dicotomia reinante em nosso planeta,ainda tão distante de uma sociedade onde todos tenham sua justa parte gerou,é claro,rios de tinta e quilômetros de película cinematográfica.E mais ainda,a idéia de um futuro utópico (ou distópico),dá o tom da ficção científica dos últimos 100 anos.Como não deixaria de ser,os extremos se fazem presente:ora um futuro de felicidade completa e harmônica,ora um terrível e sombrio tempo,dominado por máquinas,robôs ou super computadores que escravizam o ser humano.Há obras porém,que propõe uma leitura mais nuançada de futuros possíveis.Uma delas é o magnífico "Blade Runner"(1982) do diretor inglês Ridley Scott.
Baseado na novela do escritor americano Philip K.Dick(1928-1982)-"Do Androids Dream Of Electric Sheep?"(algo como "Androides sonham com carneiros elétricos?"-literalmente),Blade Runner é uma "Estravaganza" visual,mostrando uma Los Angeles hiper-caótica em 2019,com inimagináveis níveis de poluição(parace ser sempre noite),um governo ao mesmo tempo invisível e onipresente.A biopolítica havia criado os robôs perfeitos,chamados replicantes para o trabalho duro nas colônias fora da terra e inclusive para propósitos de diversão sexual.Mas como sempre acontece na realidade e na ficção,os fatos fogem ao nosso pobre controle.
O enredo gira em torno da fuga de 4 replicantes e sua entrada clandestina na Terra.Como depois de uma revolta eles são proibidos de pisar no planeta sobre pena de morte,um antigo caçador de replicantes-Deckard(Harrison Ford),assume sua localização e perseguição.Deckard,totalmente baseado nos detetives dos filmes"noir" dos anos 40 é o típico sujeito durão,que não leva desaforo para casa.Em visita à poderosa Tyrrel Corporation(que cria os replicantes),Deckard conhece a bela e super misteriosa Rachel(Sean Young-simplesmente maravilhosa),o que levará a uma poderosa história de amor.Deckard encintra os replicantes e é claro,tem que executar sua tarefa macabra.Mas tudo isso parece abrir seus olhos para o fato que a realidade é muito mais complexa que imaginamos;especialmente ao confrontar Roy(Rutger Huer),o chefe dos replicantes(em cena antológica do cinema,em meio à chuva),isso sem mencionar o final.
Lembro de ter visto "Blade Runner"no antigo Cine Pathé em Belo Horizonte nos anos 80,e ter saido embasbacado.Ali estava um filme de ficção científica complexo e porque não humanista,uma obra que ia fundo(em uma época em que não se falava disso)na crítica à destruição dos recursos do planeta,à dominação do biopoder sobre nossas vidas,e à banalização dos sentimentos e à coisificação do ser humano como mero consumidor e mercadoria.Um filme barroco,de cores e clima sombrio-nisso,bem distante do 'corderosismo' de tantas produções hollywoodianas.Se nosso futuro como espécie será aterrador ou não,tenho a total convicção que cabe a nós e nossos descendentes decidir-ao combater os verdadeiros inimigos-aqueles que sorrateiramente fazem da condição humana um simples episódio biológico,sujeito unicamente à exploração e à dominação.Uma grande obra para ver e rever sempre.
Obs-Conheço duas versões de Blade Runner-a do estúdio e a do diretor.










Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas,amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar,desamar,amar?
sempre,e até de olhos vidrados,amar?

Que pode,pergunto,o ser amoroso,
sozinho,em rotação universal,senão
rodar também,e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta,e o que,na brisa marinha,
é sal,ou precisão de amor,ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito,o cru,
um vaso sem flor,um chão de ferro,
e o peito inerte,e a rua vista em sonho,e uma ave de
                                                                      rapina.

Este o nosso destino:amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente,de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,e na secura nossa
amar a água implícita,e o beijo tácito,e a sede infinita.

(Carlos Drummond de Andrade)

Right Now-Van Halen







Don't wanna wait 'til tomorrow
Why put it off another day?
One by one, little problems
Build up, and stand in our way. Oh

One step ahead, one step behind it
Now ya gotta run to get even
Make future plans I'll dream about yesterday, hey!
Come on turn, turn this thing around

(Right now) Hey! It's your tomorrow
(Right now) Come on, it's everything
(Right now) Catch your magic moment
Do it right here and now
It means everything

Miss a beat, you lose a rhythm
An nothin' falls into place. No!
Only missed by a fraction
Slipped a little off your pace. Oh!

The more things you get, the more you want
Just trade in one for another
Workin' so hard to make it easy
Whoa, got to turn. Come on, turn this thing around

(Right now) Hey, it's your tomorrow
(Right now) Come on, it's everything
(Right now) catch that magic moment
Do it right here and now
It means everything

Said a lie to me
Right now
What are ya waitin' for? Oh! Yeah!
Right now

(Guitar Solo)

(Right now) Hey! It's your tomorrow
(Right now) Come on, it's everything
(Right now) Catch that magic moment
And do it right, right now (Right now)
Oh, right now!

It's what's happening
Right here and now
Right now, it's right now
Oh!
Tell me, what are ya waitin' for?
Turn this thing around

Um clássico absoluto,que resiste aos anos.Original e mais que nunca atualíssimo em nossa triste época do mercado total e da coisificação do ser humano,"Right Now' se destaca hoje pela bela letra,pelos arranjos e pela mensagem,dando sua visão do mundo contemporâneo e do que nos resta-lutar e ter esperança sempre.