Sobre escrever

"Eu escrevo sobre o amor e o dinheiro.O que mais existe para escrever?"(Jane Austen-1775-1817)
"A partir de certo ponto,não há volta.Esse é o ponto que se deve atingir"(Kafka-1883-1924)
"Não gosto de escritores que ignoram o elemento estranheza que se introduziu na vida contemporânea a partir da bomba atômica"(Susan Sontag-1933-2004)

Filme-"Coverboy,a última revolução"(2006)-de Carmine Amoruso

A queda do Muro de Berlim,o final da União Soviética e o desmantelamento dos regimes repressores do chamado "socialismo real" no Leste europeu,causaram surpreendentes mudanças no ordenamento das 'forças ideológicas' planetárias.O que a princípio foi saudado com expressões como "nova era democrática","fim do comunismo" e até mesmo "fim da história",etc,também poderia ter sido chamado de "advento da era do mercado total","reunificação da ideologia neoliberal,neoconservadora".Esses fatos intricados entre si,deram o tom à quase total desregulamentação dos mercados nacionais,à precarização do trabalho,gerando a então tão louvada "globalização",hoje mais que questionada por sua criação monstruosa de concentração de renda e miséria.
Por mais que se tenha dito então que 'a esquerda estava morta',que o marxismo(que não é o socialismo real do leste) era uma filosofia/sistema falido,o fracasso retumbante da era do mercado total levou à atual crise sistêmica  pela qual ainda passamos.
A Europa Ocidental,seriamente afetada,com crescimento econômico negativo ou muito baixo,começa a sentir os trancos do envelhecimento populacional acelerado com o consequente aperto dos serviços de segurança e previdência social.Lá,a crise só gera mais desemprego e insatisfação,levando grandes contingentes a votar na direita e até mesmo na extrema direita xenófoba e racista(e estúpida),que demoniza os imigrantes ilegais,não querendo enxergar os verdadeiros culpados da crise.Os EUA patinam na pior recessão em 80 anos,com altos níveis de desemprego e decepção popular com o governo de Obama(que foi eleito em meio a aclamações retumbantes).A infra-estrutura,a educação e a desigualdade de renda caem a níveis nunca vistos hoje.E por fim,assistimos à inevitável ascensão do BRICs,que desenham já no presente,um outro futuro.
"Cover Boy" é um filme italiano que se insere na tradição política de Elio Petri e Pasolini,com sua crítica ácida da ilusão do fim da luta de classes,do teatro bem-pensante burguês,seu desvelamento dos meios mais reacionários de controle social e ocultamento e manipulação das relações sociais.
Por mais que certas revistas semanais insistam no contrário,tudo é político,e por mais que o chamado "estado do bem estar social",tenha construido sociedades muito mais justas em muitos países da Europa,esse mesmo sistema tem sido corroído em suas bases pela ganância desregulamentadora e pelo inevitável embate social causado por ela.
"Cover Boy" conta a história de Ion(Eduard Gabia) e Michelle(Luca Lionello).Ion é um jovem romeno,que acossado pela pobreza da Romênia pós-comunista,vai tentar a sorte no suposto eldorado italiano.Como era de se esperar,de grande prosperidade,a Itália já não tem muita coisa.Com a econonia estagnada há anos,o país é na verdade um viveiro de xenofobia e racismo.Ion,recém chegado,não tem para onde ir ,onde dormir,onde tomar um simples banho.E é em circunstâncias surpreendentes que conhece Michele na estação Termini em Roma.Michele,é um empregado terceirizado,que embora italiano,e"cidadão pleno da União Européia",é pouco menos pobre que o romeno.Mora em um minúsculo e desconjuntado apartamento em um prédio decrépito,gerenciado por uma por uma detestável e amargurada atriz decadente.É esse apartamento e também sua vida que passa a dividir com Ion.
Pasolini registrou magnificamente a vida do sub-proletariado italiano em obras primas como Accatone(em uma Itália que surpreenderia muitos hoje,com favelas iguaizinhas às brasileiras na periferia de Roma) e lamentava melancolicamente,que a rica Itália que nascia nos anos 60,significava também um país que se abastardava,que se consumia no fogo do consumismo e da ganância erigidas como modo de vida.
Esse mesmo Pasolini se surpreenderia com a Itália de 2010.O país que depois da Segunda Guerra,teve um enorme e intenso crescimento econômico,com o decréscimo rápido da desigualdade social e aumento exponencial de salários,passa de exportador a receptor de mão de obra barata do chamado "terceiro mundo".Mas a Itália de 2010 é o país do patético Sílvio Berlusconi,do racismo mais lamentável da Europa Ocidental e de uma decadência sócio-econômica que só tem aumentado ano a ano.
É nesse cenário que vive Michele,o amigo de Ion,ele próprio imigrado do mais pobre sul da Itália.,que procura em Roma(ou em Milão,ou Turim,etc) a vida melhor que certamente,hoje,não vai encontrar.
Os dois,perdidos em uma sociedade indiferente,teem a si mesmos.Michele literalmente se apaixona por um Ion inacessível como objeto de paixão e a dor dos dois se mescla em vários tons.

Um filme corajoso e contemporâneo,aclamado e premiado em vários festivais,com maravilhosa fotografia,ótima direção de atores e uma crítica social cortante e oportuna.Vale destacar a Roma degradada a que poucos turistas devem prestar atenção.

Poesia-Despedida(de Alfred Tennyson)


Correnteza abaixo, riacho frio, para o mar,
a onda libertadora ela refere:
Não mais por ti meus passos irão,
para sempre e sempre 
Corrente, doce corrente, por gramado e prado
Um riacho, então, um rio:
Agora, por ti meus passos devem ir,
para sempre e sempre
 
Mas aqui suspirará vosso carvalho
E aqui vosso arbusto estremecerá
E aqui por ti zumbirão as abelhas
para sempre e sempre
 
Milhares de sois jorrarão sobre ti,
Milhares de luas rebrilharão;
Mas não por ti meus passos irão,
para sempre e sempre.
 
Alfred Tennyson "A Farewell" in "The Poetical Works of Alfred Tennyson"

Dilema das classes médias: Estado do Bem-Estar ou apartheid social?



Na hora mais grave de sua história, os ingleses, na linguagem de seus liberais cívicos e trabalhistas, cunharam o lema do “Estado do Bem-Estar Social”. Este grito de civilização contrastava com o outro, da barbárie, vindo da Alemanha de Hitler, o Estado da guerra, da máquina de guerra nazista. “Sangue, suor e lágrimas”, os ingleses uniram a Nação e resistiram. Hoje, decerto, não há nenhum Hitler às portas do Brasil, mas quem ousaria negar que a barbárie da violência social ainda ronda o nosso cotidiano e, pode, se a linha vitoriosa nestas eleições for neoliberal, voltar a crescer? O artigo é de Juarez Guimarães.
À Maria Rita Kehl

Em seu poema mais terno, comovente e terrível, o maior poeta negro brasileiro, Cruz e Souza, versa sobre o berço do recém nascido: 

“Meu filho que eu adoro e cubro de carinhos,/ que do mundo vilão ternamente defendo,/ Há de mais tarde errar por tremendais e espinhos/ Sem que o possa acudir no suplício tremendo.” 

E mais adiante:

“Tu não sabes, jamais, tu nada sabes, filho,/ Do tormentoso Horror, tu nada sabes, nada.../ O teu caminho é claro, é matinal de brilho,/ Não conheces a sombra e os golpes da emboscada.”

Postado assim no livro “Faróis”, um pouco antes do belíssimo “Litania dos pobres” ( “As sombras das sombras mortas,/Cegos, a tatear nas portas./ Procurando o céu, aflitos/ E varando o céu de gritos./ Faróis à noite apagados/ Por ventos desesperados/ Inúteis, cansados braços/ Pedindo amor aos Espaços./ Mãos inquietas, estendidas/ Ao vão deserto das vidas.” e mais adiante : “ Bandeiras rotas, sem nome,/ Das barricadas da fome.”), o poema “Meu filho” de Cruz e Souza parece-se como uma oração desesperada de todos os pobres do Brasil aos recém nascidos de seu amor. 

A consciência mais alta dos abolicionistas brasileiros, no fim do século XIX, chegou à conclusão de que a abolição não era principalmente um imperativo de modernização econômica nem apenas uma dádiva humanitária para com os negros. O que estava em jogo ali era um princípio de civilização: enquanto houvesse escravidão, não seria possível formar uma moralidade do cidadão, toda cultura cívica seria cínica, a própria dignidade do trabalho seria negada. Hoje, nestes inícios do século XXI, o que está em jogo mais do que a força econômica autônoma do Brasil, muito além da comiseração com a vida de humilhações e carências dos pobres, é também um princípio de civilização. 

Ou retornamos ao princípio de civilização dos anos noventa, da era Fernando Henrique Cardoso, o qual, pela apologia do mercado, se legitimava a exposição ostensiva da riqueza em meio à legião dos pobres e o cultivo da diferença social como sinal de status, ou vamos formar a casa comum da democracia brasileira, vamos aparar os extremos em direção ao predomínio das “classes médias”, vamos formar, enfim, o cidadão e a cidadã de direitos e deveres simétricos. O que está em jogo é a nossa moralidade, a possibilidade de nossa cultura cívica republicana, o destino democrático que formamos na crítica ao nosso passado de violenta exclusão.

As engenharias mercantis da produção da miséria em massa produzem a morte física: pela fome ou subnutrição, pelas epidemias evitáveis ou pela vida subtraída pelo cuidado sanitário precário, pelas genocídios de jovens pobres nas periferias. Ao final dos anos noventa, pela primeira vez na história brasileira no século XX, a esperança média de vida dos brasileiros parou de crescer. Mas a injustiça – legitimada ou cinicamente absorvida – produz um aleijão na alma do cidadão: as nossas crianças e jovens – mesmo as mais protegidas – não ficam imunes à legião dos pobres nas ruas mais suntuosas, pessoas a cata dos restos nos lixos dos bairros mais ricos, o pobre suspeito de ser criminoso e o rico absolvido de todos os crimes.

Não se trata de dividir o mundo pequeno dos privilegiados ou socializar os privilégios para todos. “A felicidade ou é compartilhada ou não vigora”, escreveu o presidente Lula como dedicatória ao livro de sua biografia presenteado a Dom Luciano Mendes, como este mesmo próprio revelou a uma platéia de ouvintes comovidos. O que se trata exatamente é a meta de por fim aos privilégios: expandir o espaço da vida de cada um pela expansão da riqueza da vida social, prosperar o nosso quinhão de afetos pela amizade e amorosidade da vida em comum, modular em aquarela as cores de nossa vida subjetiva ao sentimento do mundo, como versou o poeta maior.

Desterrados na própria terra? 

Talvez a mais fina leitura do livro “Raízes do Brasil”, do mestre Sérgio Buarque de Holanda, revelou que em sua primeira edição ele escrevia na abertura uma contradição: ao modo de Gilberto Freyre, ele trazia o reconhecimento de que havia se enraizado aqui uma civilização nos trópicos ; mas, ao mesmo tempo, ao modo de Euclides da Cunha, éramos desterrados na própria terra. Nas edições seguintes, esta tensão criativa teria se apagado, ficando soberana a noção do desterro. O fino leitor, porém, preferia a tensão, ao modo da obra que cresce na sua abertura de sentidos.

O fato é que esta tensão veio hoje ao centro da democracia brasileira. Continuaremos a ser desterrados na nossa própria terra, como uma nação que não se fez, ou construiremos aqui a mais bela e generosa civilização democrática e interracial dos trópicos, na utopia mesma de Darcy Ribeiro? 

O tema do desterro ou do exílio estrutura a cultura brasileira desde o século XIX, quando ela começou a procurar nossa identidade, entre a cópia do centro ou a busca da originalidade. Origem, identidade e destino, amarrados na mesma imaginação: de onde viemos, o que somos e para onde vamos ? Na clareira da dúvida, emergiu o tema do sertão: dentro de nós, ao redor de nós, presença do mal ou ausência do bem, o lugar onde vige a violência na ausência da lei, nossas veredas. Como numa comédia farsesca, o “bem” e o “mal” voltaram hoje a terçar armas em busca da consciência dos brasileiros. Mas nem Hermógenes (o princípio do mal no sertão) nem o fero belo Diadorim (o princípio do bem absoluto no sertão) : mas Riobaldo e sua fala sábia, humanizando o imperfeito do vivido, repropondo para nós o caminho do livre e do justo.

No desterro, os ricos abandonam a noção de nação e migram para seus oligárquicos céus do cosmopolitanismo: os de tradição, para a Europa, os “novos ricos” para Miami, erguem fossos e pontes levadiças em seus condomínios de luxo. Os pobres, ah! Os pobres, estes migram para os infernos: para o anonimato do desemprego ou os sem nome do emprego precário, para as drogas e seus circuitos, para o sobre humano esforço pela sobrevida de cada dia.

E as classes médias o que fazem: elas vão ao limbo, sem identidade de Nação, sem futuro para os filhos, com a universidade cada vez mais restrita ou mais cara e os planos de saúde que faltam na hora mais crítica, com a humilhação de ser brasileiro, fugindo da bala perdida e evitando as zonas do “no man´s land” das cidades perigosas. 

No governo Lula, o sertão não virou mar mas recomeçamos a construção interrompida da Nação. A nação democrática e republicana é, por sua própria natureza, a identidade e futuro das classes médias brasileiras. Vamos retornar ao limbo?

Estado do Bem-Estar Social
Na hora mais grave de sua história, os ingleses, na linguagem de seus liberais cívicos e trabalhistas, cunharam o lema do “Estado do Bem-Estar Social”. Este grito de civilização contrastava com o outro, da barbárie, vindo da Alemanha de Hitler, o Estado da guerra, da máquina de guerra nazista. “Sangue, suor e lágrimas”, os ingleses uniram a Nação e resistiram. Hoje, decerto, não há nenhum Hitler às portas do Brasil, mas quem ousaria negar que a barbárie da violência social ainda ronda o nosso cotidiano e, pode, se a linha vitoriosa nestas eleições for neoliberal, voltar a crescer?

Coube a Maria Lúcia Werneck Vianna falar, pela primeira vez entre nós, ainda no final dos anos oitenta, da americanização perversa de nossa vida social. “Escolas para ricos” segregadas de “escolas para pobres”; “saúde para ricos” e “saúde para pobres”; previdência privada e imprevidência para todos. Mas como dizia o Relatório Beveridge, fundador do sistema de Bem-Estar inglês, uma medicina só para pobres será sempre uma pobre medicina. No final dos anos noventa, já se falava entre nós das dinâmicas de apartação social, isto é, estávamos reproduzindo aqui no Brasil o sistema do apartheid vigente na África do Sul, só que com o estigma social da riqueza e da pobreza.

O Estado do Bem-Estar é, por natureza, o lugar do interesse público, do encontro necessário e possível entre trabalhadores e classes médias, entre os direitos do trabalho e os direitos da mulher, da educação pública e do SUS pleno, do emprego garantido e da previdência firmada, da economia do setor público e dos avanços da democracia. 

Em um regime do Bem-Estar, as classes médias podem realizar, de modo universalista, seus interesses: a inclusão de miseráveis e pobres, que no Brasil quase equivalem a uma França inteira, gera uma plataforma de milhões de novos empregos para engenheiros, médicos, dentistas, psicólogos, advogados, comunicadores e economistas. A expansão das funções públicas do Estado gera uma profusão de concursos públicos. A recuperação dos bancos públicos produz uma pressão de baixa nos juros e o crédito para a compra de casas torna-se acessível; a retomada dos investimentos em ciência e tecnologia alenta as carreiras universitárias. Crescem as receitas do Estado, diminuem as dívidas públicas e as políticas sociais podem almejar metas de universalização. A violência social diminui claramente e os jovens de periferia entram, com passos firmes, no circuito da civilização, das artes e da educação, com suas próprias identidades. A reforma agrária e a agricultura familiar expandem e barateiam a produção de alimentos. A força da economia do setor público permite planejar e evitar a predação da natureza que nos ameaça. 

Com uma dinâmica de Bem-Estar, cria-se uma infra-estrutura econômica propícia à retomada da moralidade pública, de desprivatização do Estado e de suas cadeias alentadoras de privilégios ou de rentismos. O interesse público passa se a base de uma vida política pública virtuosa.

O governo Lula deve ser reconhecido como o que mais fez até hoje na luta contra a corrupção: através do fortalecimento da Controladoria Geral da União (CGU), da multiplicação das operações da Polícia Federal, da criação de Corregedorias em todos os ministérios, da auditagem das verbas federais que vão para os municípios e estados, da garantia da independência do Ministério Público Federal, da punição aos corruptores, da transparência dos gastos públicos e do envio ao Congresso Nacional de novas leis de punição exemplares aos corruptos. Mas é evidente que , por seu caráter histórico e sistêmico, a corrupção exige medidas mais profundas, como a Reforma Política, e uma postura mais intransigente. 

A voz da república

Com os ricos e grandes capitalistas e banqueiros e agro-business alinhados com Serra e pobres, sindicatos e sem-terra mais alinhados com Dilma, o segundo turno destas eleições presidenciais de 2010 será decidido pelo voto das classes médias.

Serra oferece a elas uma apologia virulenta de um sentimento contra a esquerda, contra as morais emancipatórias da mulher e um ressentimento de quem vê seus privilégios ameaçados, ao mesmo tempo, que satura os seus programas de televisão de pobres, tentando fugir à identidade de ser o candidato dos “bem... ricos”, como diz o refrão da campanha de Dilma.

O argumento moral que solda liberdade e justiça, o sentimento da identidade e orgulho de ser brasileiro e o rico mundo dos interesses públicos do Estado Bem-Estar Social constituem três grandes argumentos para o seu voto em Dilma.

Se Vinícius de Moraes estivesse presente entre nós, ele apenas aconselharia as classes médias brasileiras a ouvir a bela canção de Orfeu, que ele figurou como um menino negro no alto de uma favela brasileira.
Esse artigo foi publicado originalmente no site Carta Maior 


Aviso

Esse blog volta ao normal depois das eleições.Confesso que não tenho tido inspiração.Estou imerso na campanha,fazendo minha parte.É uma questão,reafirmo de convicção e determinação pessoal.
Um abraço a todos.

Música-"Mistake Number Three"-Culture Club



You can't bystand all the people
Stand them on their own
They will fall to pieces
So we watch them grow
Into strange and pretty faces
I don't know
Clutching to my lipstick traces
Watch them go
Make Mistake Number Three
It's strange how much it changes
How they want to know
How cynical are people
That's where children go
Dragged into a conversation
They can't hold
Its so sad but it prepares them
For the mould
Make Mistake Number Three
Why is my love like an ocean run dry?
And why is my love such a struggle with life?
You can't bystand all the people
Stand them on their own
They will fall to pieces
So we watch them grow
Into strange and pretty faces
I don't know
Clutching to my lipstick traces
Watch them go
Make Mistake Number three

Uma das canções mais lindas,tocantes dos(maravilhosos) anos 80,cantada por um ícone que quebrou mais que barreiras à época-Boy George.

Livros-Memórias de Adriano-de Marguerite Yourcenar

Memórias de Adriano(1951) foi o romance que projetou Marguerite Yourcenar (1903-1987) internacionalmente,e fez que o mundo conhecer uma grande escritora.
Memórias de Adriano é a história romanceada do imperador romano Adriano(76-138 d.c.) na forma de longas cartas a seu sucessor Marco Aurélio.Essas cartas são divididas em:Animula Vagula Blandula(Pequena alma terna flutuante),Varius multiplex multiformis(vário multiplo multiforme),Saeculum aureum(século dourado),Disciplina Augusta e Patientia(paciência).
Em cada uma das diferentes epístolas,Adriano reconta uma parte de sua vida,desde seu nascimento na Espanha,sua infância solitária,sua juventude em Roma e depois sua ascensão ao poder e sua vida como imperador romano.
Obra prima da literatura,o romance é uma longa divagação sobre a vida,o amor,a sociedade,o poder.
O Adriano de Yourcenar,um imperador romano com poder absoluto se coloca como um ser humano muitas vezes frágil e amedrontado frente às armadilhas do destino,as ironias da sorte.
Yourcenar dá grande destaque ao romance entre Adriano e o jovem grego Antínoo-ela achava que a história desse relacionamento era a chave para entender a personalidade de Adriano.A parte que narra o romance-Saeculum Aureum-é a melhor do livro.A meditação do imperador sobre o amor é impressionante,mostrando como tudo muda,menos a verdade essencial da vida.
Marguerite Yourcenar recria todo um tempo em que em suas próprias palavras:"O deuses estando mortos e ainda não existindo o cristianismo,houve um breve momento em que só existiu o homem".
Um dos grandes romances do século XX,amado e sempre relido por seus fiéis admiradores.
Trechos:
"Nosso grande erro é tentar encontrar em cada um ,em particular,as virtudes que ele não tem,negligenciando o cultivo daquelas que ele não tem"
"Fui amado por alguns;estes me deram muito mais do que eu tinha direito de exigir ou mesmo de esperar deles:algumas vezes sua vida;outras sua morte."
"Foi dessa maneira,com uma mistura de prudência e audácia,de submissão e revolta cuidadosamente calculadas,de extrema exigência e prudentes concessões,que acabei finalmente por aceitar-me a mim mesmo."
"A moral é uma convenção privada:a decência,um assunto público;toda permissividade muito visível sempre me pareceu uma exibição de mau gosto."
"Quando tivermos reduzido o máximo possível as servidões inúteis,evitado as desgraças desnecessárias,restará sempre,para manter viva as virtudes heróicas do homem,a longa série de males verdadeiros:a morte,a velhice,as doenças incuráveis,o amor não partilhado,a amizade rejeitada ou traída,a mediocridade de uma vida menos vasta do que nossos projetos e mais enevoadas que nossos sonhos.Enfim,todas as desventuras causadas pela divina natureza das coisas."
"Tudo se desmoronava;tudo parecia extinguir-se.O Zeus Olímpico,o Senhor de Tudo,o Salvador do Mundo aluíram;de repente,existiu apenas um homem de cabelos grisalhos soluçando no convés de um barco."(ao saber da morte de Antínoo)
"Não sabia ainda que a dor contém em si estranhos labirintos,(...)"
"Tentei ir em pensamento até essa revolução pela qual todos nós passaremos,o coração que renuncia,o cérebro que se submete,os pulmões que cessam de aspirar a vida.Passarei por uma convulsão análoga;morrerei num dia.Mas cada agonia é diferente."

As Eleições e a Coerência Pessoal

Como todos podem ver aqui na barra lateral,voto Dilma em 3 de Outubro.Esse post não é uma explicação de voto,porque não tenho que explica-lo,mas uma declaração de intenções e motivos.
Voto Dilma por convicção pessoal,convicção essa que vem de muito tempo.Aprendi muito cedo na vida(às vezes a duras penas) que a direita é a coroação do supremo lugar comum da política,com seu conservadorismo dogmático,seu preconceito de classe,seu horror à transformação social,sua convicção absurda em uma humanidade monolítica e em uma suposta submissão de todos ao interesse econômico de uma minoria,em detrimento da maioria.
Não sou e nem nunca fui filiado a nenhum partido político-sou avesso a dogmas e ortodoxias.Mas jamais votaria na direita,por história de vida e de familia.Penso nos milhões de pessoas que melhoraram de vida nos últimos oito anos de governo Lula.E isso no país do 'elevador de serviço'-uma metáfora do nosso apartheid social,que sempre foi muito bem aceito por uma boa parcela da classe média que talvez pensasse-''pobres?sempre existirão!".O que Lula fez e penso Dilma continuará é algo muito fácil de definir-um choque de capitalismo,uma inclusão social,a criação de um mercado de consumo de massa.Nada de comunismo,de 'regime autoritário' que uma parte da mídia(saudosa da época casa grande e senzala)tenta apregoar.
Fico pasmo quando perguntam;porque 'os pobres' vão votar na esquerda?É preciso mesmo responder?
Não sou a favor de loteamento de cargos públicos,nem de corrupção no governo-em qualquer governo.
O que é preciso fazer agora é avançar as conquistas sociais:aumento real dos salários,redução da semana de trabalho para 40 horas,melhoria urgente da educação e do Sistema Público de Saúde,proteção mais efetiva às minorias,aos idosos e crianças,criação de mecanismos mais democráticos ,que deem oportunidades a todos,igualmente.Pelo fim da casta de privilegiados que tem governado esse país há 500 anos
Voto com coerência pessoal.Perdi a conta dos 'unfollows' que levei no twitter,até de mensagens ofensivas que recebi.A democracia é a união das diferenças-e parafraseando o que Voltaire  e tantos outros disseram-"Todos temos o direito de expressar nossas opiniões,respeitando também a dos outros".
Que essa eleição,independente do resultado,resulte em um país realmente melhor para todos,sem exceção.

Poesia-'Sinto"-de Pedro Penido

Sinto

seguia gallows pole,do led zeppelin,quando no papel caía o que se

segue...escorrido...

Às vezes eu sinto e...sou.
outras,poucas,sinto e vou.
sinto o que todo mundo sente.
penso que é truque do tempo,
mas o tempo,eu sei,não mente.

dele arranquei dúvidas.
confessei a loucura.
nele encontrei monstros.
encontrei bravura.

mas dói na carne o sentimento.
sinto,escorro...
sinto,sofro,peço socorro.

não vêm mãos ou olhares.
poucos sorrisos no horizonte.
enquanto naufrago no meu tempo.
onde sofri e escorri...e senti.

mantenho minha bandeira.
como sangue novo,escarlate.
resta pouco de humano.

e dói o vazio desta alma imensidão.
imersa na loucura ao som de gallows pole.
enquanto tropeço em busca de paixão,
sinto,sofro,morro,vivo...apemas,agora,sou.

despreendido,entorpecido por veneno e dor.
peçonha dos prédios apertados e muita,muita dor.
encurralado nos labirintos da insana solidão,
flagrado nos limites do absurdo vago amor.


Pedro Penido é um 'novo' poeta,e poeta de verdade,não mero versejador ou organizador de períodos.Sua poesia tem uma força na qual eu sinto a tradição e a vanguarda juntas.Não será esse o destino da poesia,um diálogo permanente entre  o passado,o presente o inconsciente?
Pedro Penido acontece de ser meu primo e fico honrado em apresenta-lo aqui  nesse espaço.

Música-Loser-Versão do elenco de Glee




In the time of chimpanzees
I was a monkey
Butane in my veins
So I'm out to cut the junkie
With the plastic eyeballs,
Spray-paint the vegetables
Dog food stalls with the beefcake pantyhose
Kill the headlights
And put it in neutral
Stock car flamin' with a loser
And the cruise control
Baby's in Reno with the vitamin D
Got a couple of couches,
Sleep on the love-seat
Someone keeps sayin'
I'm insane to complain
About a shotgun wedding
And a stain on my shirt
Don't believe everything that you breathe
You get a parking violation
And a maggot on your sleeve
So shave your face
With some mace in the dark
Savin' all your food stamps
And burnin' down the trailer park
(Yo. Cut it.)
Soy un perdedor
I'm a loser baby, so why don't you kill me?
(Double-barrel buckshot)
Soy un perdedor
I'm a loser baby, so why don't you kill me?
Forces of evil in a bozo nightmare
Banned all the music with a phony gas chamber
'Cuz one's got a weasel
And the other's got a flag
One's on the pole, shove the other in a bag
With the rerun shows
And the cocaine nose-job
The daytime crap of the folksinger slop
He hung himself with a guitar string
Slap the turkey-neck
And it's hangin' from a pigeon wing
You can't write if you can't relate
Trade the cash for the beef
For the body for the hate
And my time is a piece of wax
Fallin' on a termite
Who's chokin' on the splinters
Soy un perdedor
I'm a loser baby, so why don't you kill me?
(Get crazy with the cheeze whiz)
Soy un perdedor
I'm a loser baby, so why don't you kill me?
(Drive-by body-pierce)
(Yo, bring it on down)
Soooooooyy....
[chorus backwards]
(I'm a driver, I'm the winner;
Things are gonna change
I can feel it)
Soy un perdedor
I'm a loser baby, so why don't you kill me?
(I can't believe you)
Soy un perdedor
I'm a loser baby, so why don't you kill me?
Soy un perdedor
I'm a loser baby, so why don't you kill me?
[repeat]
(Sprechen sie Deutches, baby?)
Soy un perdedor
I'm a loser baby, so why don't you kill me?
(Know what I'm sayin'?)
*[Translation: "I'm a loser"]
Crítica perfeita ao obsessivo  culto americano pelo sucesso,a canção de Beck ganha nova e ótima roupagem em Glee.Glee,que vira e mexe é desqualificada como série brega,'gay'(oi?),sentimentalóide,etc.Glee fala dos supostos losers,ou seja,dos que são constantemente desqualificados pelos supostos bambambans.Glee vira isso tudo de cabeça para baixo,e nos diz,que literalmente,a coisa é muito mais complexa.